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sexta-feira, 13 de maio de 2011

a parte chata

[gary barlow] a parte chata de viver um grande amor - sim, ela existe - é que, comparado a ele, todo o resto parece irremediavelmente sem graça.

é uma frase de efeito para quebrar o silêncio, mas também uma incômoda verdade.

eu tinha minhas frustrações, vocês sabem, como qualquer pessoa que chegou à idade adulta sem uma startup milionária, um verbete na wikipédia e um fã-clube de adolescentes ensandecidas gritando seu nome. mas confesso que achava minha vida bem satisfatória.

me formei na faculdade certa, depois de perder algum tempo na errada. sobrevivi a alguns fracassos amorosos. tenho uma boa relação com minha família e meia dúzia de amigos em quem posso confiar como se fossem parentes. consegui um emprego vergonhosamente divertido. convivo com pessoas que respeito e recebo respeito em troca. nas horas vagas, lia meus poucos livros, assistia a alguns filmes e procurava um amor.

o amor veio. descobri que ele poderia ser melhor do que eu imaginava. e todo o resto continuou satisfatório, mas satisfatório virou sinônimo de medíocre.

aí agora falta só encontrar um trabalho que eu ame, fazer novos amigos e renovar velhas amizades, cumprir o roteiro de todas as viagens dos meus sonhos, redescobrir o prazer de escrever, tirar do papel algumas ideias antigas, plantar uma árvore, trocar de carro, aprender a falar aqueles dois ou três idiomas, ler os livros incríveis que eu tive preguiça de começar até agora e ver todos os filmes que faltam na lista interminável que só cresce há dez anos.

acho que vai demorar muito. acho que vou me frustrar, falhar miseravelmente e até me arrepender de ter tentado.

mas, até aí, nunca achei que encontraria um grande amor.

quarta-feira, 16 de março de 2011

este texto não é triste

[gary barlow] temos um trato e eu acabo de quebrá-lo.

blogs como este existem, acredito, para abrigar desabafos sobre a vida. textos movidos a melancolia e escritos não por escolha, mas por necessidade de revisitar sentimentos difíceis. na vida offline, aprendemos cedo a ter discrição nos momentos de tristeza e a gritar nossas pequenas alegrias para todos, como se isso nos transformasse em pessoas melhores - quase normais. na vida virtual, vale o contrário: altruísmo na frustração, egoísmo na alegria. ninguém quer ler textos felizes, essas bolhas de ingenuidade que não ensinam nada. a tela existe para textos bonitos e tristes, com espaço apenas para a pequena dose de esperança necessária para encarar a vida até o próximo post. foi por isso que comecei a escrever aqui. é por isso que eu escrevo.

este texto não será um deles. depois de quase duas semanas de silêncio, sou forçado a burlar as regras e escrever um texto feliz.

tenho de escrever um texto feliz porque, neste último mês, vivi alguns dos momentos mais agradáveis da minha vida. resisti a falar disso. tentei mudar de assunto ou disfarçar minha alegria citando diálogos aleatórios e sem contexto. ficou difícil. não há como continuar a escrever textos tristes quando, diante do teclado, lembranças do último fim de semana (e do anterior, e do outro) invadem minha cabeça e minha vontade é repetir, a cada linha, a frase que joel disse a clementine. a frase que eu repetia mentalmente enquanto assistia a seriados e comia brigadeiro no sofá, abraçado à garota. ou quando acordava ao lado dela depois de combinarmos, sem sucesso, que naquela noite eu dormiria em minha casa. ou no dia em que prometemos parar de tomar coca-cola e quebramos a promessa depois de meia hora, só porque as bocas mereciam um gosto doce e quem está apaixonado tem a permissão do universo para agir como criança, ainda que por alguns instantes.

"i've never felt that before. i'm just exactly where i want to be."

confesso que me considerava incapaz de sentir algo assim. no ano passado, depois do fim de um relacionamento problemático, uma amiga me aconselhou. disse que eu deveria aprender a ser solteiro, e ser solteiro era como ser malabarista. o segredo era imitar aqueles garotos chineses do circo, que conseguem equilibrar vários pratos sem piscar, tremer ou deixar que um deles caia no chão. os garotos faziam malabarismo com pratos. eu deveria fazer malabarismo com pessoas.

quem conhece minha história sabe o quanto me custa lidar com isso. depois de traumas antigos, havia aderido à regra (muito razoável) de me interessar por uma garota de cada vez. ainda assim decidi tentar de novo, e devo dizer que aprendi. redescobri o prazer momentâneo de sair à noite sozinho e voltar acompanhado. reatei amizades antigas e mal-intencionadas. tratei de fazer amizades novas. vivi amores de verão. inventei paixões platônicas mirabolantes, por amigas e colegas de trabalho, para não perder o coração por falta de uso. administrei paixões platônicas alheias. machuquei pessoas - algumas, pouco; outras, um pouco mais. me machuquei um pouco mais que um pouco, mas menos do que eu esperava. bebi, liguei para amigos de madrugada, ouvi canções de amor e escrevi textos tristes. tudo sem perder o equilíbrio, como os garotos do circo.

mas a vida reserva surpresas para todos - até para quem tenta imitar a disciplina impassível dos malabaristas chineses. o inesperado pode dar as caras a qualquer hora. na fila de um bar, em uma cidade desconhecida, em uma janela de bate-papo ou em um blog cheio de textos tristes. você pensa que está preparado para tudo e o inesperado aparece, de saia preta e blusa azul turquesa, e antes de conseguir abrir a boca você se dá conta de que não aprendeu nada. ninguém aprende nada.

pensei que podia amar e desamar como os garotos chineses do circo. equilibrar paixões como pratos de porcelana. bastou um sorriso, uma caminhada de alguns quarteirões e algumas centenas de milhares de palavras para que eu abandonasse a tentativa e nem notasse o chão cheio de cacos. só existe vida onde há desequilíbrio. é por isso que este texto não é triste.

não vou me gabar da minha alegria. não sou equilibrista. não há sentido em criar a ilusão de controle num mundo feito de ajustes e precariedade. no futuro, posso ler este texto com saudade, raiva, melancolia - ou com a satisfação de quem comprova que estava certo. não importa. agora, para mim, este texto não é triste. e não vou fingir que isso seja pouco.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

pillow talk #2

[gary barlow] ela: você sabe que tem o direito de fugir de mim, né?
ele: tenho?
ela: tem, ué.
ele: que direito mais inútil.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

artimanhas femininas (00:50)

[gary barlow] não que isso tenha qualquer coisa a ver com vocês ou comigo, mas o peguete de uma colega de trabalho está doente. no hospital, internado. não sei exatamente o motivo. pelo jeito casual como ela deu a notícia ontem, entre uma risada e outra, não deve ser nada grave.

não vou ficar dizendo que ela deveria se sentir mal, visitá-lo ou algo do tipo, porque eles nem são tão próximos assim e, francamente, não é da minha conta. mas fiquei levemente chocado com o que ela disse depois.

"será que ele vai sair do hospital mais magro? ele engordou um pouco desde que a gente começou a ficar. era tão mais bonitinho."

eu ri, claro, assim como todos que estavam no elevador. já vi muitas garotas reclamarem da forma física dos parceiros e arquitetarem planos para fazê-los perder peso. nada de novo. pelo visto os planos têm ficado cada vez mais ousados. as mulheres estão perdendo os escrúpulos de vez, pensei.

daí lembrei da garota deste post (não direi "peguete" porque foi vetado).

ela, que solta muxoxos quando eu falo que, para variar, seria legal se fizéssemos três refeições num dia.

ela, que sempre acaba me convencendo a tomar café na hora do almoço, almoçar na hora do jantar e jantar... as pessoas ainda jantam hoje em dia?

ela, que aparentemente desenvolveu a habilidade de se alimentar somente de bisnaguinhas, coca-cola e (claro) remédios para dor de estômago.

eu engordei seis quilos desde dezembro. quando ela me conheceu, eu já estava com meu peso atual. mas mesmo assim fiquei intrigado. seria eu vítima de um plano feminino para me emagrecer à força? caso a estratégia falhe, qual poderia ser o próximo passo?

quando o elevador chegou ao meu andar, o riso já tinha se transformado em preocupação. preciso parar de adiar minha volta à academia.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

o dia em que descobri que eu não era bom

[gary barlow] quando eu decidi participar deste blog, o maior motivo foi minha vontade de dividir esta história. falei dela há alguns dias e tenho ensaiado o texto desde então. vai ficar enorme e um pouco melodramático, mas é assim que ele deve ser. a quem tiver disposição de ler, faço duas promessas. tudo o que está escrito abaixo é verdade, e nada te fará sentir empatia ou compaixão.

já escrevi aqui sobre minha segunda traição, com a garota da faculdade. foi o início de um relacionamento doloroso e inesquecível. mas não contei que essa era apenas parte de uma história maior, que começou de um jeito parecido e mudou para sempre minha maneira de ver o mundo e os relacionamentos. para sempre e para a pior.

ela começa com um típico namoro colegial. depois de alguns beijos sem muito significado, acabei me tornando metade de um desses casais ingênuos e felizes. daqueles que percebem o ceticismo de todos ao redor, mas que nem por isso deixam de fazer planos para os 40 ou 50 anos seguintes, ou de trocar juramentos maravilhosos e quase impossíveis de cumprir.

"eu sempre, sempre vou te dizer a verdade."

falhei em todos os outros. mas esse, sem dúvida, foi o pior deles.

o dia em que descobri que eu não era bom foi uma segunda-feira, no começo de 2003. eu tinha entrado há pouco tempo na faculdade, que costuma ser a sentença de morte dos namoros do colégio. eu e ela estávamos brigando constantemente por algum desses motivos ridículos que levam adolescentes de 18 anos a se desentender, se é que eles precisam de motivos.

em meio a essas brigas, conheci a garota do interior. ela não fazia meu tipo em absolutamente nenhum sentido, o que não impediu que começássemos a conversar na sala de aula e a levar nossas conversas para o intervalo. até essa segunda-feira, em que estávamos sentados em uma das escadas do campus e ela perguntou se eu tinha namorada.

respondi que não e ela me roubou um beijo.

eu poderia até dizer que aquele beijo foi culpa dela, apesar de eu ter mentido que era solteiro. mas os beijos seguintes foram culpa minha. foi culpa minha quando liguei para minha namorada e disse que ia ficar na faculdade até mais tarde para estudar. quando levei a garota para o meu carro. quando me despedi dela falando que nos veríamos no dia seguinte.

à noite, quando encontrei minha namorada, achei que ela perceberia que havia algo de errado. ela não desconfiou de nada. do cumprimento à despedida, aquele foi mais um encontro normal daquele casalzinho apaixonado do colégio, que brigava por bobagens e depois voltava às boas. exceto pelo fato de que eu não era uma pessoa boa.

ao menos nos círculos que eu frequento, todos têm a convicção de que são pessoas boas, assim como seus pais, irmãos e amigos. um elogio comum a alguém de fora desse pequeno grupo é dizer que se trata de "uma pessoa boa". uma de nós. eu também pensava assim até aquele dia. foi aí que descobri que eu, um menino que beijava os pais antes de dormir, tirava notas altas e tinha um namoro supostamente perfeito, poderia ser um tremendo filho da puta.

e o que mais me surpreende, olhando para o passado, não é a minha falta de coragem para abrir o jogo com a minha namorada, ou a completa irracionalidade da minha conduta - afinal, eu havia traído na primeira oportunidade que tivera, com uma garota por quem eu tinha interesses no mínimo superficiais. o que mais me surpreende é que eu não tinha a menor intenção de parar.

passei algumas semanas com a garota do interior, até que ela começou a se apaixonar e eu tive de dizer que, sim, eu era comprometido. ela ficou justificadamente transtornada. chegou a pegar o número de telefone da minha namorada no meu celular e ligar para ela, mas não teve coragem de dizer nada.

inventei uma história. disse que a garota era louca e tinha pego meu celular emprestado. minha namorada acreditou. cortei o contato com a garota do interior e só voltei a vê-la há alguns meses. ela me confessou que ainda gostava de mim. eu disse que não merecia esse sentimento e que ela deveria procurar alguém melhor. ela insistiu; disse que eu estava me diminuindo. eu disse que sabia que eu estava certo. não a vi mais depois disso.

***

depois desse susto, eu e minha namorada voltamos à instabilidade tradicional. continuei a omitir tudo o que havia acontecido com a garota do interior. vivemos um ano de quase felicidade, até eu conhecer aquela outra garota.

na primeira vez em que beijei a garota da faculdade, eu e minha namorada estávamos brigados. de traidor, eu passei a ser amante. durante a semana, eu e ela levávamos uma vida de casal, a ponto de frequentarmos as casas um do outro e sairmos para almoçar com amigos. os fins de semana ela passava com o namorado, em outra cidade. ela dizia que iria terminar com ele, mas sempre voltava na segunda-feira com uma desculpa para não tê-lo feito. eu merecia.

já disse que a história terminou depois de três meses, com duas traições, quatro corações destruídos, um trancamento definitivo e uma prescrição de fluoxetina. mas não disse como terminou.

quando triângulo amoroso havia completado dois meses, minha namorada voltar a me procurar. marcamos um encontro. ela me abraçou e chorou, dizendo que sentia minha falta. eu já não sentia quase nada por ela, mas não tive coragem de dizer que não queria mais e estava com outra garota. me sentia em dívida com ela por tudo o que havia feito. nós reatamos sem que eu dissesse nada sobre a garota do interior, ou sobre a garota da faculdade. não tive coragem de cumprir minha promessa.

a garota da faculdade ficou abalada com a notícia. nunca mais foi a mesma comigo e parou de prometer que terminaria o namoro. ainda assim, mantivemos nosso relacionamento por mais um mês, sem que minha namorada ou o namorado dela soubessem de nada. continuamos nessa felicidade precária até as férias de julho, quando ela foi passar um mês na cidade dela e eu fiquei em são paulo com minha namorada. nenhum dos dois se sentiu à vontade para ligar. quando voltamos a nos ver, o interesse dela por mim havia morrido. ela começou a fazer outro curso e não nos vimos mais na faculdade.

eu, que já detestava as aulas, agora tinha um motivo a mais para não querer olhar para o prédio, as pessoas e as paredes. tudo me lembrava dela. passei a tirar notas baixas e faltar às aulas. tranquei minha matrícula na faculdade. conheci meu primeiro psiquiatra. o segundo. o terceiro. tomei os remédios mais populares para depressão: esses que os médicos se acostumaram a receitar sem perguntar qualquer coisa. não fizeram efeito porque meu problema era moral. mas eu não admitiria isso nunca - nem mesmo em uma consulta psiquiátrica.

minha namorada me via desabar, mas não podia saber o motivo. tive de inventar desculpas. disse que era por problemas familiares, por insatisfação com o curso, por razões químicas (como se eu soubesse algo do assunto). cheguei a dizer que a culpa era dela. continuamos nesse pesadelo por mais três anos, até que aquele grande amor adolescente se transformasse em nada. terminamos o namoro quando ela decidiu não atender mais aos meus telefonemas depois de uma de nossas brigas cotidianas.

pouco depois disso, encontrei a garota da faculdade por acaso num restaurante. estava sentado com dois amigos quando ela passou pela minha mesa, em direção à porta. num impulso, levantei e fui atrás dela. ela continuou andando, sem tirar os fones de ouvido. consegui alcançá-la e andei ao lado dela por três quarteirões. disse que precisávamos conversar e que eu ainda pensava nela todos os dias (era verdade). enquanto dizia isso, segurei a mão dela. ela disse que precisava ir embora e não queria ouvir nada. continuei segurando sua mão; ela se afastou e atravessou a rua. não fui atrás. voltei ao restaurante algumas vezes, mas nunca nos encontramos de novo.

***

a história merecia um epílogo amargo.

dois anos depois do fim do namoro, eu e minha ex-namorada nos encontramos na internet e ela me mandou uma mensagem. voltamos a conversar e reencontramos a sintonia dos primeiros anos. depois de duas semanas de conversas virtuais, ela me convidou para tomarmos um café. eu vivia os últimos meses de um relacionamento duro e passional, mas mesmo assim aceitei o convite.

nos encontramos em uma padaria de que gostávamos e conversamos por duas horas. ela me falou da vida, dos trabalhos, das viagens. e deu de presente uma medalha como esta, que ela tinha comprado no vaticano. disse que sabia que eu estava comprometido, mas que ainda gostava de mim e queria tentar de novo.

eu não estava disposto a tentar. em dois anos se aprende alguma coisa, e eu sabia que não conseguiria guardar todas as mentiras do passado e manter a nossa sanidade, ou a mais remota chance de sermos felizes. mas ao mesmo tempo não achava justo dispensá-la e deixar que ela pensasse que foi rejeitada por uma pessoa boa, digna do amor que ela sentia.

sem pensar muito, decidi cumprir a promessa feita sete anos antes. contei toda a verdade.

há um limite para as descrições, e este é o meu limite. mesmo se eu abusasse de metáforas e adjetivos, não saberia descrever a expressão de alguém que acaba de descobrir que foi enganado durante cinco anos. só posso dizer que eu vi esse rosto. é uma cena que me assombra de tempos em tempos, embora eu tenha aprendido a pensar no passado o mínimo possível.

segurei a mão dela assim que ela começou a chorar e contei a história até o final. pedi uma água. ela tomou e quis ir embora. caminhamos juntos, sem olhar um para o outro. em frente ao carro dela, perguntei se ela queria a medalha de volta. ela disse que tinha comprado pensando em mim e queria que ela ficasse comigo. está na minha carteira até hoje. é a prova de que minha história é verdadeira. de que ser uma pessoa boa não é uma condição nata, mas uma decisão tomada ao longo da vida.

quando nos olhamos pela última vez, ela ainda chorava muito. eu a abracei e disse a única palavra que cabia naquele momento. "desculpa." ela me abraçou mais forte, não respondeu e se despediu. acompanhei o carro dela com os olhos até o fim da rua, como fazia nos primeiros anos de namoro. eu não a veria mais depois disso.

ainda naquela tarde, por e-mail, ela me diria tudo o que eu merecia ouvir e ela não teve forças para dizer em nosso encontro. eu respondi com um novo pedido de desculpas. ela encerrou a conversa e pediu que eu nunca mais a procurasse.

"eu não quero que você me diga mais nada. a pior coisa em você é que você tenta parecer bom e consegue. você é um canalha que convence as pessoas. deveria escrever um livro ou uma peça de teatro. eu não vou acreditar em mais nada que vier de você."

nunca um elogio doeu tanto.

nunca mais traí ninguém.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

1:44

[gary barlow] - eu já te disse que eu quero te ver de novo? - perguntou ele, com a cabeça afundada no travesseiro. ela continuou distraída com alguma dessas bobagens que passam na tevê no domingo à noite.

- o que você falou?

- nada. agora essa frase vai ser um mistério para sempre. tudo porque você estava aí assistindo a... sei lá ao que você está assistindo.

mas não era um mistério, porque ele já tinha dito. e talvez nem precisasse.