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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

eu tentei (21:39)

[tippi hedren] segui os conselhos de alguns de vocês e tentei, mal e porcamente, estabelecer contato com a minha mãe. como ligar é complicado -- e soaria forçado -- mandei um e-mail. o assunto era "oi!". perguntei se estava tudo bem. fui incapaz de escrever mais coisas. medo de ela me magoar na resposta. ou orgulho puro e simples. ela me respondeu que sim, está tudo bem. e perguntou dos meus gatos, que ela chama de "bebês". ainda não respondi.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

23:20

[tippi hedren] primeiro, rodeios: tive a ilusão de que podia escrever este post de bruços -- não posso, não tenho firmeza. o gato branco se aproveitou desse breve momento e veio massagear minhas costas, com aquelas patas enormes que ele tem. dói, por causa das unhas, mas também é gostoso, porque é o jeito do gato de fazer carinho. eu entendo. gato 1 x 0 cachorro.

este post vai ficar enorme. é sobre uma garota que vive um momento de dúvidas avassaladoras e que não consegue se aproximar da própria mãe, coisas que não estão relacionadas. preciso falar delas neste post porque sou de urgências. minha sessão de análise vai demorar e me dei conta de que se eu não registrar, corro o risco de esquecer o que eu estou pensando, como um mecanismo de defesa, talvez. aí, vou acabar levando outras questões pro divã, o que seria bom se os problemas atuais não voltassem a me assombrar. mas -- e sempre tem um mas -- eles vão. então pare agora. ou não.

mais dois preâmbulos (dizem que quando a pessoa faz rodeio é porque existe resistência. é possível resistir a si mesmo, no próprio blog? hmmm):

encontrei um cara bem gatinho no ponto de ônibus. meio jake gyllenhaal, que não faz o meu tipo, by the way. fui pedir informações e, quando vi, tínhamos engatado uma conversa. ele era perdido. nem sabia o nome do ônibus que deveria pegar, mas jurava que ele passava naquela rua escura em que estávamos. segundo ele, eu precisava pegar esse mesmo ônibus. ele sabia conversar. e, como eu disse, também era bem pegável. foi então que me peguei querendo fugir dele, da conversa, antecipando o momento em que nos sentaríamos juntos no banco do ônibus. o momento chegou, tratei de me sentar antes da catraca. dei um tchau simpático antes, é claro.

isso, meus caros, é uma coisa que eu jamais teria feito. mesmo sem nenhum interesse, eu provavelmente teria continuado a conversa -- que mal tem? percebi, porém, que nenhum outro garoto além do meu garoto me interessa no momento. e que eu não preciso me cercar de pretendentes pra me sentir segura. provavelmente, pela primeira vez na história do meu coração, não há dúvidas: eu só quero você, querido.

essa historinha do ponto de ônibus se passou antes da minha reunião com o diretor de redação mais legal do mundo. ele é tão legal, mas tão legal, que topou tomar um café comigo mesmo sem poder me prometer um emprego. nem vaga existe na revista dele. gestos simpáticos assim me ganham. me ganham!

o cara está nessa revista há anos. vejam bem: ANOS. e nunca pegou um café da máquina do próprio andar. não sabia que botões apertar, colocou um copo a mais na engenhoca, se atrapalhou todo, em resumo. o que só me fez amar mais a pessoa. conversamos sobre cinema, sobre figurões do jornalismo cultural, sobre freud, o cachorro do freud e sobre lacan. acho que ele gostou deveras de saber que estou estudando psicanálise (eu estou! não é incrível?).

agora sim, as questões urgentes.

desde novembro, acho, sou voluntária do cvv. sim, aquele "serviço" telefônico que ajuda pessoas em situação de desespero. pela terceira vez, faltei. eu deveria estar lá agora, no momento em escrevo este post quilométrico. não consegui. embora eu consiga lidar muito bem com certas ligações, outras acabam comigo, com a minha paciência.

é assim: eu consigo conversar longamente com quem descobriu que tem HIV, por exemplo, mas não tenho boa vontade alguma com pessoas que ligam toda semana, com o mesmo problema. tendo a desprezá-las e mesmo a ter raiva de sua imobilidade. e eu sei, por deus eu sei, o quanto pode ser difícil sair do lugar.

outra coisa que neste momento me faz repensar o voluntariado é a dedicação que ele exige. toda terça -- das 22h às 2h. isso me complica, porque falta tempo pra dormir, pra ficar de bobeira, pra estudar, pra postar aqui (tava precisando!) e no blog famoso. ou talvez eu só esteja procurando desculpas.

outra coisa é que eu não acredito totalmente na minha utilidade. acho que certas demandas -- pra não dizer todas as demandas -- dependem de um trabalho contínuo. uma ligação pode, no máximo, ajudar a pessoa a se sentir melhor por desabafar. mas rá! eu não consigo apenas ouvir. eu me envolvo. eu fico analisando. faço perguntas, desejo que a pessoa se questione. e isso contraria a filosofia do cvv. e contraria muitas das pessoas que ligam. algumas delas não querem ser questionadas. têm seus motivos, é claro. outras, por outro lado, topam o desafio e, quando a ligação acaba, estamos ambos bem. porque, né? eu me destruo com cada dor. eu me espanto. eu não fico alheia jamais. talvez por isso eu esteja cansada. e fugindo.

semana passada, discuti com um voluntário que me pediu para desligar ou pelo menos guardar o celular. eu expliquei que não atendia ligações, apenas usava a internet durante o intervalo das ligações para o cvv. ele não quis saber. disse que uma instituição só se sustenta porque existem regras bla bla bla. travamos uma longa e tensa conversa sobre direitos e deveres. eu disse que não iria guardar o celular coisa nenhuma, porque a qualidade do meu atendimento não é garantida com base nisso. ele disse que eu deveria me queixar à direção. eu odeio burocracia e deixei isso bem claro. ele me acha arrogante, provavelmente. e agora que eu faltei, também deve me achar irresponsável. não posso dizer que ele está de todo errado.

sobre a minha mãe, poucas linhas: tenho saudade dela, penso nela, mas não consigo manter contato. isso acaba comigo. me dedico mais a estranhos do que a pessoas próximas. l de loser pra mim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

16:21

[tippi hedren] socorro, estou parecendo a minha mãe! a vida inteira ela me exigiu amor exclusivo e agora eu estou fazendo a mesma coisa com os meus amigos. eu não quero ser assim! me lembro de voltar feliz da casa do meu pai - que eu só via em raros finais de semana - e ela ficar emburrada porque eu tinha me divertido. isso quando ela não falava mal dele e de toda a família dele até a 53ª geração. eu sei que o problema não era eu me divertir. o problema era ela perder seu suposto controle sobre mim. e a dor que ela devia sentir por não ter mais marido. não o meu pai, a pessoa dele, mas um homem a quem ela chamaria de marido e com quem poderia dividir a responsabilidade. essas coisas ela não sabia expressar. o que ela fazia era tentar apagar qualquer traço do meu pai em mim.

sábado, 15 de janeiro de 2011

7:10

[gary barlow] há alguns dias eu disse que não corria o risco de ser feliz. era verdade. mas bastam alguns minutos de jogo do contente para perceber que há, afinal, um lado bom nisso. quem não corre o risco de ser feliz não se decepciona. nunca. e com ninguém.

mas chega de drama por enquanto. para não aborrecer o leitor, vou direto à parte boa. é curta. depois disso, cada um decide se quer ou não acompanhar o resto de meus lamentos. já aviso logo: passei a noite em claro e estou levemente alcoolizado. nesse estado, posso fazer pouco além de me envergonhar publicamente. e há vexames que não podem ser mitigados nem mesmo pelo anonimato.

a parte boa é que dancei a noite inteira.

pronto. se você quiser ler o restante, é porque o meu chororô te interessa. não entendo, mas respeito. peço apenas que releve o pedantismo e o tom de desabafo.

como disse, quem não corre o risco de ser feliz nunca se decepciona. atravessei a noite de sexta sem uma hora de sono. agora, não tenho qualquer motivo para dormir bem. embora a tentação de transmitir a culpa exista, não há álcool que me faça esquecer que ela só cabe a mim.

por melhor que seja a companhia, não há a menor chance de sucesso em um flerte se falta a coragem para arriscar. não há risco de final feliz sem risco de rejeição. e, ao que parece, também não há álcool que me faça esquecer esse último. ou esquecer que sou um tremendo medroso. e que, por mais que eu possa ter algumas qualidades, nunca vou deixar de invejar quem não tem esse defeito. como invejei hoje.

talvez o medo não seja o bastante para explicar tudo. como uma amiga gosta de me relembrar, há também uma dose generosa de exagero. assumo. sou assim com assuntos sentimentais. de propósito. pior ainda: não posso fazer nada.

atribuir aos sentimentos de outra pessoa um valor desproporcionalmente grande é uma decisão completamente racional. mas é também irreversível. poucos vícios são tão poderosos quanto o de criar histórias de amor a partir do nada.

para quem sai à noite em busca de diversão, um beijo de um desconhecido pode trazer um prazer momentâneo. talvez um pouco mais - mas não muito, e certamente não muitas vezes. para quem sai à noite para tentar concretizar uma história de amor, um simples beijo pode ser uma experiência inesquecível. lembro-me de todos. uma vez que se experimenta o milagre de tornar realidade um beijo antecipado tantas vezes na imaginação, não há mais sentido em dar espaço para beijos que ainda não foram imaginados. melhor apostar alto, mesmo se for para perder.

quando se exagera, porém, o medo de rejeição torna-se tão grande que se perde tudo antes de começar. como hoje. como era esperado.

por isso, nesta manhã de sábado, há várias palavras para descrever o meu estado. mas decepção não é uma delas. resignação me parece mais adequada. engraçado. será que mesmo depois de uma noite de festa, com algumas garrafas de cerveja na cabeça, a formação judaico-cristã ainda conseguiria me agarrar pelos calcanhares?

por um momento acredito que sim. mas então lembro que há uma palavra melhor. no carro, enquanto levava ela e seus amigos de volta para casa, só conseguia pensar no refrão da última música que ouvi naquela noite. nunca a tinha ouvido em uma pista de dança. deve ser coincidência, claro.




see you later, queridos. bom fim de semana para vocês.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

18:01

[tippi hedren] onde está a minha habilidade de enxergar além daquilo que é fácil ver? antes, eu abria a tampa das caixas, queria saber tudo o que elas continham, me surpreendia com cada grão de poeira ali. endureci. ganhei as rugas dos que apenas vivem a vida, não a fragilidade dos que são arrebatados por ela. eu tenho resistido. medo de ser tragada por esses sentimentos desconhecidos que me tomam em horas impróprias e me jogam pelos ares delicadamente, dramaticamente. decidi ser maquinal, precisa, ainda que, do lado de dentro, exista uma espuma, uma névoa. queria passar os dias escrevendo sobre esses meus sonhos de leite. mas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

20:38

[gary barlow] greetings. passada a euforia de minha aventura litorânea, constato que continuo sendo uma das pessoas mais complicadas que eu conheço. top five, at least. e 2011, que tinha tudo para ser um ano calmo, começa com uma confusão amorosa.

outro dia me disseram que eu crio obstáculos para a minha felicidade. tenho de concordar. queria manter um recesso de relacionamentos, conforme planejado. em vez disso, acabei indo longe demais. mais precisamente, a alguns milhares de quilômetros de distância da charmosíssima capital paulista.

dizem que os amores de verão não sobem a serra. o meu foi até o aeroporto. por enquanto, só uma vez. fora isso, vivo a rotina patética de quem tenta usar recursos virtuais para prolongar um romance real. bobagem. em vez de encurtar as distâncias, a tecnologia só serve para te lembrar constantemente de quem não está lá. a vida, ao que parece, não é como aquelas propagandas de internet banda larga. para o meu azar. e, ao que tudo indica, nada deve mudar tão cedo. combinamos de ser só amigos, mas os dois sabem que o acordo é de mentirinha. a garota de muito longe parece não se incomodar. tenho de fingir que não me incomodo. ou pelo menos tento. não sou bom nisso.

sou bom é em complicar minha vida. ainda mais. a formação judaico-cristã diz que, em minha situação, eu deveria me comportar como um bom moço e esperar pela garota o tempo que fosse necessário. o pouco que aprendi com a vida me diz para fazer o contrário: esquecer a garota e tentar ser feliz por aqui. desnecessário dizer que não fiz nenhuma das duas coisas. continuo pensando na garota de muito longe. e olhando para as garotas de muito perto. para uma, em especial. paixão platônica antiga.

o problema - e sempre há um problema - é que a garota de muito perto está perto demais. nem dez metros. trabalhamos no mesmo lugar. fora isso, não temos nada em comum. poderia ser um empecilho, mas na prática é um atrativo. o que me sobra de autossabotagem me falta de autoestima. talvez por isso goste tanto de pessoas diferentes de mim. o que não gosto é de todo o resto. da possibilidade concreta de rejeição. das consequências disso no ambiente de trabalho. do meu sorriso de nervoso toda vez que tento falar com ela. e das cenas constrangedoras que repriso na minha cabeça toda vez que consigo.

não sou bom nisso.

hoje criei coragem e convidei a garota de perto para tomar uma cerveja. hoje a garota de longe disse que sente saudades. eu também sinto. não importa o que aconteça nesta semana, no mundo virtual ou no real, dentro ou fora do trabalho. não corro o risco de ser feliz.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

18:08

[tippi hedren] eu estava lendo o blog dela e senti saudades do tempo em que eu era uma pessoa que ia a festas e bebia vodka e sonhava com os meninos mais bonitos do mundo. eventualmente, eu pegava esses meninos e a minha vida era pura emoção. será que ele está interessado? será que ele vem falar comigo? será que vamos sair? vai ser bom? vamos sair de novo? e de novo? e aí acontecia. e depois vinha um outro garoto, que era ainda mais interessante. e eu vivia tudo de novo. e tinha o menino que eu não posso linkar. antes, eu tinha raiva dele, porque ele claramente não queria me namorar. depois, eu aprendi a me divertir com ele, com a vodka, os filmes, as canções e a putaria também. eu era a dona do pedaço, embora isso não me caia muito bem.

o que eu vivo hoje é completamente diferente. eu olho para o lado e se for sexta, sábado, feriado ou férias, ele está lá, com a cabeça pousada no outro travesseiro. me apertando e dizendo, com voz de sono, "eu te amo tanto". eu não sabia que eu podia ter essa vida. eu não acreditava nela. não comigo. viver junto com outra pessoa não era um objetivo. e depois eu vi, de relance, que poderia ser bom. meses depois, eu percebi que não seria possível. não com o fotógrafo.

e agora vem a vida e me dá uma rasteira boa. perco o ar antes de cair. eu não estou conseguindo ficar longe dele. não estou querendo. nem precisando. pelo contrário. quando o fim de semana acaba, eu fecho a porta, ele liga o carro. dou boa noite para os gatos, deito na minha cama de casal e fico processando a falta que ele faz.

eu contei isso pra ela. eu estava surpresa. ela disse que é por isso que as pessoas se casam. engraçado. eu nunca tinha parado para pensar nessa razão mais óbvia. para mim, o casamento era mais uma satisfação à sociedade, um sonho em tons de branco e cheiro de flor. no meu caso, algo totalmente inviável, dada a minha inconstância.

e eu tenho medo, agora que me vejo a ponto de dividir a minha vida com alguém. porque as coisas sempre acabam. se transformam, primeiro. e eu não queria nunca que isso sequer mudasse. meu estômago se contorce quando eu penso que um de nós pode se tornar infeliz. que as piadas podem perder a graça. que ele pode ir embora. que eu posso, de novo, não saber como é o amor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

15:54

talvez o contrastalker passe a ser escrito por um garoto. eu sugiro que ele seja o river phoenix. ele acha triste, porque o river morreu jovem. eu disse a ele que os bons morrem jovens. e que o river combina com a tippi. eu disse assim: "vc pode ser o river phoenix. era pra ser. não foi. tipo a tippi". ele ainda não sabe se vai aceitar meu convite. tá com medo de não ter nada que interesse a dizer. eu sei que ele tem.

eu vivi o meu primeiro plantão no trabalho voluntário ontem. foram meses de treino e de simulações. a gente treinou tanta coisa, testou ouvir quase todo tipo de dor. da perda, de não ser querido, de ser sozinho, de ter problemas, muitos deles. e eu achei que seria tranquilo, que eu estava pronta. não foi. fiquei acabada. pensando que porra de privilégio é esse que eu tenho de ter uma vida boa, apesar das minhas dores.

eu nunca fui internada pela minha família. eu tenho amigos. eu tenho um trabalho. eu tenho desejos. por que eu tenho? por que eles não têm? nada explica isso. e que não me venham com um papo religioso. eu não caio nessa.

foi complicado ouvir uma repetição infinita dos problemas mesmo quando, juntos - a pessoa e eu -, conseguimos ver uma luz fraquinha. e aí eu dizia que precisava desligar. e sentia que não tinha de fato ajudado a pessoa. sofrido. mas vou continuar tentando. quem sabe eu percebo que o processo todo ajuda de alguma forma.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

19:00

aconteceu de eu virar blogueira profissional. foi na semana passada. perdi mais um pedaço do meu tempo. vai ficar ainda mais complicado vir aqui. então pensei em fechar o contrastalker. e viver de postar pra muita gente, fingindo que aqueles assuntos me bastam. decidi que não quero fingir. preciso disso aqui. pros meus segredos. pra elaborar as minhas questões. então eu digo que fico. aqui eu não tenho foto, não espero ser a mais lida. sou só eu. e toda a confusão.

***

então eu achei, sem querer*, o perfil dela no twitter. ela, que me falou que sabia da história e que tinha pena de mim. eu meio bêbada; ela, dona da razão. eu sem ele; ele com ela. ela tuitou que comprou panetone pra sogra. então é verdade que eles se casaram. é verdade que eu não servi. que tudo aquilo que ele disse e que doeu tanto era mesmo o que ele queria ter dito. não um jeito estranho de gostar de mim. me senti mal. fazia tempo que eu não me interessava, que eu não buscava notícias. fui clicar pra quê. cliques malditos. não por ele, por eles. por mim e por quem eu já fui. pelo caminho tortuoso que eu fiz pra pedir pra ele ficar. justo eu que não acredito nessas coisas de pedir. eu fiz o que eu mais abomino. e isso, toda vez, ele me joga na cara.

*sem querer. he-he. claro que se a gente faz, é porque a gente quer. freud etc.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

21:25

chorei sem entender por que. acho que foi de alívio. acho que não preciso mais do bisturi. acho que entendi o quanto dói em você relembrar o passado. pena que eu tenha precisado ver você chorar. pena que eu tenha recorrido ao bisturi tantas outras vezes e machucado outros corações por aí. eu não percebi que o que eu quero, a verdade, se ela existir, não merece essas cicatrizes. acho que chorei por me livrar desse padrão dolorido. me despedi mais uma vez de mim. de um jeito tão conhecido de agir. mas isso eu só percebo agora, porque ontem doía demais. e eu não podia pensar direito. mas te amo. ainda. sim. ainda. disso nunca duvidei. nem quando doeu mais. whatever words i say, i will always love you.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

18:59

(para ler ouvindo isto )

fui destruída pelo quarto do filho, um filme italiano de 99 minutos. pareceram horas. tão bonito, tão humano. que dor possível, aquela. todo mundo vai sentir um dia. todo mundo.

fiquei estática quando acabou. pelo filme, por causa daquela música que toca no final. eu mal conseguia explicar por que estava naquele estado. de pé, virando poça. eu já disse isso antes, no outro blog. eu não era mais uma pessoa. eu era um sentimento.

o que doeu é que todo mundo estava separado. até tentavam se ajudar, principalmente a filha, que conseguiu olhar mais para a dor dos pais do que para a própria. porém, eles estavam impenetráveis. cada um tentando resolver aquilo como podia, com as limitações todas.

e vem a arianna e quebra todo mundo. mais ainda. só que de um jeito libertador. ela é alguém de quem eles podem cuidar. ela é a lembrança mais viva e mais alegre do andrea.

eu adoro quando o giovanni chora no trabalho dele. eu sinto o alívio dele de longe.

já a cena do jogo do basquete, a da notícia, corta o meu coração irremediavelmente.

mas adoro quando eles cantam no carro. ali sim. todo mundo junto. ridículos. e tão felizes.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

18:03

ok, 18 minutos pra escrever este texto. aqui não é a redação. as regras quem fixa sou eu. mas acontece que eu estou na redação neste exato momento. portanto, ela manda no meu tempo. especialmente hoje, quinta-feira. é o dia em que eu preciso deixar tudo quase pronto para o ingrato fechamento de amanhã. tá difícil. olho pra todo aquele texto que eu tenho que editar e a única coisa que me dá vontade de fazer é ir embora. a cada dia tenho mais certeza de que jornalismo não é o que eu gosto de verdade de fazer. no meu teste vocacional, deu psicologia como primeira opção. a segunda era jornalismo. de cara, a minha mãe desqualificou a psicologia. acho que por causa disso eu inverti as posições, de modo que estou neste exato momento cercada por colegas ávidos por notícias. eu não ligo pra elas. as minhas notícias são outras. mas essas ninguém quer publicar. aí, eu opto por caminhos alternativos e vou fazer resenha de cinema. poderia viver disso. também tenho escrito sobre carreira. o que pedirem eu faço, porque eu não quero ficar mais tempo na seção de cartas. porém, acho que mal disfarço a minha falta de paixão, exceto pelas resenhas. passei o dia pesquisando sobre cursos de psicanálise, já que fazer outra faculdade me obrigaria a voltar a morar com a minha mãe. devo mesmo apostar nisso no ano que vem. se eu pudesse, começava já na segunda. e de novo mudaria o rumo da minha vida. doeria abrir mão das aulas de dança e da academia. mal voltei. que agonia. sempre tão difícil escolher. e que mania de não suportar as coisas. não imagino onde isso vai me levar.

no sábado, começa o treinamento para o trabalho voluntário. vai ser um alívio. isso soa estranho, eu sei.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

21:32

várias vezes eu pensei que deveria tornar isso aqui público. então eu seria mais lida. mas mudei de ideia. eu quero continuar anônima e não precisar torcer palavras quando o assunto for complicado, como é o caso.

outra coisa que me fez pensar esses dias foi a falta de temas. não que a minha vida tenha ficado desinteressante pra mim mesma. pelo contrário. acho que ela ficou maior com a minha saída de casa e com a casa que eu tenho pra manter.

talvez haja uma crise muito bem escondida dentro de mim por causa dessas coisas ou talvez eu tenha aprendido a lidar com elas de uma maneira tranquila, com mais tolerância à minha pessoa.

vai ver é o apoio dele, o menino que está comigo de um jeito como ninguém antes esteve. ou é tudo culpa da internet que eu não tenho em casa.

só sei que não vim aqui, como faço agora. desde o blog antigo, é assim que funciona. algo dói ou alegra demais, eu venho aqui, eu escrevo, algo bom acontece dentro de mim.

e hoje? bem, hoje eu estou com medo das coisas que eu sinto, porque elas me fazem mal. começou por causa de uma crítica e terminou com uma culpa que eu senti e alimentei até doer muito.

eu queria ter acertado totalmente. queria a perfeição. não a que está boa pra mim. a perfeição medida pelo outro. o que acontece é que eu sempre faço isso. o olhar do outro é uma reprovação quase sempre. um olhar que me enxerga através de lentes de aumento. diante delas, eu fico pequena. é exaustivo, porque é sempre frustrante. eu sei que é ruim pra mim. eu não consigo parar.

minha insegurança foi escancarada, talvez seja por causa dela que eu demoro tanto para sair do lugar. se eu fosse mais durona, se eu fosse mais cara-de-pau, se eu tivesse menos preguiça, se eu fosse mais nerd, se eu fosse mais popular, se fosse um monte de coisas que eu não sou, talvez...

tão vendo?

"paternalista". foi essa a palavra que desencadeou tudo, eu acho. grandes chances também para a frase "você se diminuiu". e eu analisando tudo. e me cansando de ser tão entusiasta de freud e lacan, porque, por deus, eu não consigo parar de pensar. e de me martirizar. e de ver como eu sou torta. e que algumas coisas demoram muito pra passar.

superar. talvez eu desconheça o verbo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

20:59

eu queria ter tempo de vir aqui e dizer que a minha vida tá positivamente confusa, com tantas oportunidades mini apontando no horizonte. e que eu finalmente tô sabendo dividir os meus dias com outra pessoa sem exagerar e sem surtar muito com isso. e que, como sempre, eu tô com medo de que essa relação se torne algo insuportável em alguns meses, porque é isso que acontece comigo. é gostoso, é melhor do que qualquer coisa que houve antes, é apaixonante. e aí eu sinto que tô em movimento constante. e vem a descida. e me falta o freio. queria contar que o meu chefe me fez chorar hoje de tão fofo que ele foi. e que eu vivo pra me relacionar com gente que tem coração. e eu agora tenho um celular de gente que se conecta e tô supermega nerd. disse.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

19:25

eu fui pra augusta e as pessoas ainda estavam lá. foi por acaso. fiquei feliz. e extremamente desconcertada. eu poderia estar lá com elas, se as coisas ainda fossem as mesmas. de todo modo, é bom saber que as coisas são diferentes e, mesmo assim, elas continuam lá, no bar favorito. é preciso atravessar a rua mais vezes ou esperar? é preciso não fazer nada, talvez. do mesmo jeito que começou acaba. e volta a ser. e continua. até que os blogs não tenham mais nada a dizer. o meu ainda tem. preciso pegar a tv. e pagar em vodca. sempre me lembro.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

23:04

não consigo ir pro meu quarto dormir, não consigo. todos os hóspedes já foram e eu, a louca do computador, tô aqui. eu sei que eles pensam isso de mim. que eu sou louca. e agora paranóica.

nem sei o que eu tô sentindo, mas a vontade de escrever é inesgotável. esqueço às vezes que isso aqui é meu e que eu posso vir sempre e ficar à vontade. quando lembro, é essa avalanche.

falei com um amigo querido hoje. fazia um tempão que a gente não se falava. tipo... anos. casou, teve filho, separou. incrível como a vida das pessoas acaba se parecendo quando passa o tempo. já tenho pencas de amigos separados. aí, você vai ouvir os detalhes e - pânico! - os motivos também são os mesmos, na essência. dura quanto o amor? suporta o que?

dói pra cacete se separar de alguém. quando eu tava esquecendo dessa dor, revejo brilho eterno de uma mente sem lembranças e volta tudo. aí, eu leio o blog dela e tão lá as partes mais fucking hard da história emocional da humanidade. de todo modo, acho que a maior parte das pessoas pode fazer outra coisa com essas dores. é deixar virar outra coisa. e a gente sai melhor desse processo chato, longo, cruel. eu acredito piamente nisso, piamente.

por outro lado, sempre desconfio quando me dizem que o amor acabou e foi isso. eu mesma tô tentando sempre explicar pra mim porque eu parei de amar o garoto da fotografia. sempre me pego tentando dizer que "amor acaba" e aí vem ela pra me dizer o momento exato em que eu matei o amor. tem até sessão-chave. medo.

visitei meu pai nas férias. foi como se nunca tivéssemos ficado longe um do outro. primeira vez na vida que eu não choro pós-infância na frente dele. quer dizer, eu chorei, mas ele não viu. vou ganhar mais um irmão. ou irmã.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

22:10

era uma vez uma garota. e um garoto. eles eram amigos. ele nunca quis nada além de um despropósito verbal sem fim. e tão divertido! ela também não queria romance. mas ela queria que ele quisesse. carência, ego... qual é o nome disso?

o coração dela virou poça d'água. desfeita por um sentimento menor?

como num clipe da björk, onde o que é pequeno fica grande, grande. insuportável. dói. mas é encantador. e até engraçado.

p.s.: björk, pra mim, é ovo fritando e coração bagunçado. ou excessivamente feliz.

17:10

estava terminando o post anterior, logo depois da parte dos pensamentos pobres, e ela ligou. sabe tudo, essa lacaniana. acolhe, fala macio, pergunta como eu tô. e eu digo. tô bem. dou uma risadinha. nego a informação e depois reafirmo. ela sabe que eu tô, mas que as questões continuam fervendo em algum lugar de mim. eu sei que é possível viver sem análise. mas também sei o quanto sinto falta daquele lugar onde cabe tudo. principalmente eu.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

16:23

me bateu um medo... de repente, vi que posso me tornar – facilmente – uma dessas pessoas que veem a vida passar. uma fatalista. alguém que diz: "- tinha de ser" ou "- as coisas são assim mesmo" ou ainda o temível "- eu sou assim". não quero ser assim! eu sou do grupo dos que se torturam de tanto pensar no que fizeram e por que. no que poderiam ter feito. no que farão, quando e como. um verdadeiro quebra-cabeças onde as peças são os sentimentos. me esforço para explicar todas as coisas para mim e para os outros. evidentemente, é inútil.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

19:30

hoje, ele completou 55 anos. eu tive coragem de ligar e dar os parabéns. reatar o laço é mais complicado. pelo menos, eu desengavetei a questão.