quinta-feira, 3 de março de 2011
big brother na firma
eu não consigo pensar em qualquer motivo, bom ou ruim, para ter sido chamado. em vez de me assustar, fico curioso. entro na sala dele, sento-me à sua frente e pergunto:
- aconteceu alguma coisa?
aconteceu.
aconteceu que a empresa tem uma política obscura de redes sociais, e que eu aparentemente tinha quebrado as regras. minha infração? curtir um post de uma ex-colega, que hoje trabalha na concorrência. tudo dito com a maior serenidade do mundo. "sei que você não teve nenhuma má intenção, mas tome cuidado com isso."
gelei. eu, que sempre tomei todo o cuidado para não me expor em excesso nas redes sociais, estava ouvindo um sermão sobre facebook do chefe do chefe do meu chefe. o diretor monitorava o que eu fazia na internet. e o pior de tudo: eu não sabia quais eram os critérios.
na dúvida, limpei meu perfil. primeiro, excluí todas as fotos de festas. depois, qualquer menção ao consumo de álcool - não gostamos, afinal. em seguida, pensei melhor e resolvi tirar também as fotos em que eu tinha saído mal: já que a audiência é tão ilustre, uma má impressão é um risco que não queremos correr. por fim, aproveitei para mandar para o espaço todas as fotos velhas de que eu não gostava mais. vai saber quando terei paciência para organizar meus álbuns do facebook novamente. melhor fazer tudo de uma vez.
sobraram sete fotos. duas com os colegas de empresa, porque a habilidade de trabalhar em equipe é um dos nossos pontos fortes. duas da colação de grau, para destacar a nossa formação acadêmica. e três com os amigos, porque valorizamos o networking e a construção de boas relações interpessoais.
foi assim, às vésperas do carnaval e em um dia com trabalho dobrado, que meu facebook virou linkedin. não curti.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
artimanhas femininas (00:50)
não vou ficar dizendo que ela deveria se sentir mal, visitá-lo ou algo do tipo, porque eles nem são tão próximos assim e, francamente, não é da minha conta. mas fiquei levemente chocado com o que ela disse depois.
"será que ele vai sair do hospital mais magro? ele engordou um pouco desde que a gente começou a ficar. era tão mais bonitinho."
eu ri, claro, assim como todos que estavam no elevador. já vi muitas garotas reclamarem da forma física dos parceiros e arquitetarem planos para fazê-los perder peso. nada de novo. pelo visto os planos têm ficado cada vez mais ousados. as mulheres estão perdendo os escrúpulos de vez, pensei.
daí lembrei da garota deste post (não direi "peguete" porque foi vetado).
ela, que solta muxoxos quando eu falo que, para variar, seria legal se fizéssemos três refeições num dia.
ela, que sempre acaba me convencendo a tomar café na hora do almoço, almoçar na hora do jantar e jantar... as pessoas ainda jantam hoje em dia?
ela, que aparentemente desenvolveu a habilidade de se alimentar somente de bisnaguinhas, coca-cola e (claro) remédios para dor de estômago.
eu engordei seis quilos desde dezembro. quando ela me conheceu, eu já estava com meu peso atual. mas mesmo assim fiquei intrigado. seria eu vítima de um plano feminino para me emagrecer à força? caso a estratégia falhe, qual poderia ser o próximo passo?
quando o elevador chegou ao meu andar, o riso já tinha se transformado em preocupação. preciso parar de adiar minha volta à academia.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
eu tentei (21:39)
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
23:20
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
post rascunhado ontem, editado hoje, postado agora
gary e eu nos conhecemos há quase dois anos. não entendo como a amizade nasceu, para ser sincera. ele passava perto da minha mesa, erguia a mão direita e me dava um animado "oi". eu achava curioso, porque não tínhamos sido apresentados. mais tarde, entendi que ele me via como uma igual, um animal da mesma espécie, ameaçado pelos mesmos predadores. trocando em miúdos, ele achava que eu era estagiária, assim como ele. de acordo com gary barlow, eu não aparento a idade.
o que eu acho, porém, é que o meu lado fofo e gentil faz com que as pessoas me vejam como um ser inocente, desprovido de maldade, uma característica perdida ao longo do tempo nesse mundo hostil que nos abriga. mas há as exceções. sou uma delas e trago a palavra naïve tatuada no peito. seria isso -- a inocência do coração -- garantia de juventude eterna?
voltando ao início de minha amizade com gary barlow.
um dia, após tantos cumprimentos afáveis, fui me juntar a ele no restaurante da firma. nesse dia, eu estava atrapalhada e fiz a mesma pergunta duas vezes ou mais. não sei como continuamos conversando. não sei como passamos a conversar ainda mais. e depois a frequentar animadas festinhas no baixo augusta. ok, foi só uma. hoje, chegamos ao ponto em que toda boa amizade chega: uma mistura de honestidade, sarcasmo e amor. a gente diz o que pensa, dá pitaco, tira sarro, magoa de levinho e volta às boas.
por isso, adoro o fato de ele escrever aqui. adoro o que ele escreve aqui. mas sinto ciuminho, dorzinha de cotovelo e quetais. não porque o mundo vai saber como ele é legal. isso eu adoro. o problema é aprender a dividir o espaço, a reconhecer a fama do coleguinha -- ou do filho preferido. vou tentar elaborar na terapia. beijos.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
16:40
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
17:12
não me sinto capaz de escrever de maneira decente, tampouco confio na minha apuração, mesmo tendo ouvido seis fontes.
acho que vou perder o prazo. também acho uma chatice o tema da minha reportagem, embora todo o processo de apuração tenha sido interessante.
queria escrever um e-mail choroso para o meu editor confessando a minha incapacidade. eu jogaria tudo para o alto e me sentiria livre. no segundo seguinte, louca. fora que ficaria difícil arranjar emprego depois.
por que eu ainda acho que posso ser feliz aqui?
maldita confiança no futuro.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
20:31
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
20:27
ufa.
tô até mais animada para o meu plantão de hoje no cvv. porque eu sei que eu vou sofrer. toda segunda eu sofro. é dolorido ouvir sobre a dor das pessoas. os seus desacertos. eu também sei que eu vou ficar irritada. todo santo plantão, a mesma pessoa me liga. com o mesmo problema. e ela liga há anos. que triste essa imobilidade dela. meu coração se quebra. ela não consegue ter nenhum momento de felicidade.
e...
será que é esse o meu medo? de ficar presa como essa pessoa está presa? vai ver é por isso que ela me irrita tanto. projeção etc.
sendo otimista, meu dia foi de progressos. um arte entregue, duas bananas, uma barra de cereal, mais água do que o habitual, uma consulta médica marcada, pensando modos de usar o dinheiro com inteligência.
ainda falta eu ser mais sociável. nunca recusei tantos convites para almoçar ou tomar café. o problema não são as pessoas. o problema é que eu gosto de ficar no meu mundo, fazendo as minhas coisas. e aí, quando eu vejo, é hora de tocar a vida. e me falta tempo. então eu adio a interação, que é uma coisa fácil de fazer. espero que elas, as pessoas, me esperem. tô tentando ser melhor.
18:47
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
29 de dezembro de 2007
2007 foi um ano de contrastes. aconteceram coisas boas e outras tantas incômodas. mas, pensando bem, todo ano tem que ter esse equilíbrio entre as coisas totalmente dispensáveis e as bacanas. não há anos só bons ou só terríveis. há os acontecimentos, esses sim agrupados em bons e terríveis.
na lista dos acontecimentos perfeitos, incluo o emprego 2. esperei bastante para fazer parte da tal grande imprensa. foi só depois de formada que fui parar nela e acho que foi muito bom não carregar mais a inocência universitária ao adentrar o mundo das hard news, embora eu me considere ainda muito bobinha sob alguns aspectos.
de toda forma, eu não quero perder, em 2008 e nos próximos anos, essa minha bobice, porque é ela que me faz ser diferente. no ano que vem, eu pretendo continuar com a minha honestidade de risco, não importa a influência do meio ambiente sobre ela.
o emprego 2 quase foi um affairzinho besta neste ano que está pra acabar. porque eu cheguei a desistir dele pra ficar só no emprego 1. eu achei que daria conta do perrengue, que era tipo uma superjornalista, mas não rolou. fiquei cansada, fiquei frustrada, fiquei puta da vida e joguei pro alto. mas aí algumas coisas mudaram e eu resolvi encarar a briga, mais uma vez. vou tentar de verdade, não só part-time, antes de dizer um adeus tímido e incerto. em 2008, pois, não tem mais emprego 1 e 2, tem "o" emprego apenas.
vou sentir falta da editora, muita falta. mas eu sei que tá na hora de encarar o novo, sem medo, com paciência. afinal, fomos sempre nós duas, a santa paciência e eu, desde o começo.
na lista dos bons acontecimentos, também incluo as pessoas queridas que fizeram parte da minha vida em 2007. teve um monte de amigo véio de guerra e também as pessoas novas que chegaram e foram puxando uma cadeira e, quando a gente viu, tava amarrado o laço.
vou deixar claro, aqui, que eu não sou muito de ligar e mandar e-mail, essas coisas feitas "pra não perder contato". as pessoas que importam, porém, estão sempre comigo de algum jeito. de qualquer forma, espero que em 2008 eu consiga ser uma amiga mais presente.
2007 passou e eu consegui resolver parte dos meus problemas financeiros, o que dá um alívio tremendo. aparentemente, eu sou uma pessoa que sabe cuidar do próprio dinheiro.
nota de rodapé: não precisa, né?
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
15:54
eu vivi o meu primeiro plantão no trabalho voluntário ontem. foram meses de treino e de simulações. a gente treinou tanta coisa, testou ouvir quase todo tipo de dor. da perda, de não ser querido, de ser sozinho, de ter problemas, muitos deles. e eu achei que seria tranquilo, que eu estava pronta. não foi. fiquei acabada. pensando que porra de privilégio é esse que eu tenho de ter uma vida boa, apesar das minhas dores.
eu nunca fui internada pela minha família. eu tenho amigos. eu tenho um trabalho. eu tenho desejos. por que eu tenho? por que eles não têm? nada explica isso. e que não me venham com um papo religioso. eu não caio nessa.
foi complicado ouvir uma repetição infinita dos problemas mesmo quando, juntos - a pessoa e eu -, conseguimos ver uma luz fraquinha. e aí eu dizia que precisava desligar. e sentia que não tinha de fato ajudado a pessoa. sofrido. mas vou continuar tentando. quem sabe eu percebo que o processo todo ajuda de alguma forma.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
21:45
a a., eu já percebi, é obstinada. cortou os doces da vida, não come nem os dietéticos que servem aqui. anda rápido e deixa todo mundo pra trás na caminhada. comprou um relógio que conta a pulsação e tá toda feliz com o brinquedinho.
ela tem alergia a um monte de coisas e na quinta-feira eu vou pra "cidade" com ela, porque ela precisa tomar vacinas toda semana.
eu não sei o que eu sinto por essa moça. às vezes, ela me irrita com o radicalismo todo. outras vezes, eu tenho vontade de cuidar dela.
depois, veio a l., que a a. me apresentou. a l. é uma senhora bonita, refinada. demanda muita atenção, porque gosta de falar pelos cotovelos. tem opinião sobre tudo. está aqui há mais de um mês e só perdeu uns 2 quilos. ela diz que o seu metabolismo é lento. eu acho que ela sofre muito, na verdade.
aí tem a menina que eu não sei o nome. ela é a mais empolgada com tratamentos estéticos, massagens orientais, com lama, banho disso, daquilo etc. ela é divertida. tem um sotaque ótimo, do interior. faz questão de mostrar pras pessoas a foto de quando ela era gorda. eu ainda não vi. e também não fiz nenhum tratamento estético. acho que dá pra pensar nisso com uns 40 anos. até lá, quero preservar meu lado trash.
a s. (nome da minha filha, se eu tiver uma) é a que tem o papo mais legal. ela deve estar perto dos 40, é dentista, mas fez direito depois e agora só trabalha com advocacia. ela poderia ser chata, uma vez que ela tem uma voz muito chata, mas ela é muito agradável. tem mil histórias familiares e a gente pensa de um jeito meio parecido sobre a criação de animais e crianças, embora eu não me sinta nem um pouco apta a criar seres humanos. ela tem um bulldog e isso conta 50 pontos a favor dela. ela também tem muitas expressões faciais, o que eu acho ótimo.
por último, o melhor. com vocês, m. m. tem 65 anos e é viúva há 13. ela joga toda a culpa dos seus 130 quilos na morte do marido. ela reclama muito da comida. a gente começou a conversar porque ela estava justamente blasfemando contra a dieta. e eu tentando consolar. aí, ela veio com o papo do "rosto lindo e corpo zoado" e eu desanimei.
mas então ela me surpreendeu. fui tomar uma ducha e ela elogiou as minhas tatuagens. achou tudo lindo e disse que vai fazer algumas em homenagem aos netos. "borboletinha pras meninas, né?", ela disse. os filhos dela criticam muito essa vontade. eu dei a maior força. depois, ela desembestou a falar, porque eu fui perguntando tudo.
me contou que tinha um namorado, também criticado pelos filhos. e agora ela deu um basta nessa relação, porque descobriu que ele é "mulherengo", mas não tenho certeza de que foi essa a palavra que ela usou.
ela viajou para os estados unidos com esse cara, bancando tudo. até roupa e declaração para o visto. ele é mais novo. tem menos de 50. eu só disse "cuidado pra ele não se aproveitar da senhora". ela respondeu "ah, ele não tinha condição de pagar e eu queria ir com ele". eu, que defendo a livre crença e a ilusão terapêutica, não disse mais nada.
fiquei morrendo de curiosidade quando ela contou desse namorado. uma coisa que eu sempre quis saber como funciona é o sexo dos velhinhos. aí, eu disse: "posso fazer uma pergunta íntima"? e ela: "claro". perguntei: "como era er... o sexo? bom?" ela abriu o maior sorriso da piscina e disse que é melhor do que antes, que ela tem o maior fogo agora, embora o marido fosse um "safado bom de cama". ela se divertia com o ex três vezes por noite (bem melhor do que a minha média, diga-se).ela fala disso tudo com as netas, principalmente sobre usar camisinha. isso desperta a ira das mães das meninas (?!). m. me chama de "amiguinha".
17:27
tô de maiô, evitando molhar a cadeira do spa. tô cheia de energia também. tentei dormir à tarde, na piscina e no quarto, porque eu adoro dormir. a surpresa gigante foi que eu não consegui, mesmo pegando no sono só às 2h de ontem. nasceu um pique em mim que... uau. agora entendo quem malha feliz. quero tanto conseguir fazer isso quando sair daqui... descobri que suco de morango com banana é o céu. também descobri que era triste acordar ao meio-dia. perdia um tempão cultivando a minha pancinha quando poderia estar matando todas as malditas células adiposas que brotaram em mim. e isso me faria uma pessoa mais feliz. feliz em uma simples calça jeans. tô achando que desta vez não vou desistir de uma vida melhor e de um reflexo animador no espelho. mas sempre tem a porra de um big mac no meio do caminho. tudo bem se eu comer sem culpa e depois correr milhas?
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
20:36
imaginei certo, exceto pela parte do chocolatinho, que eu não trouxe. autoenganação: vamos estar evitando.
um alívio: aqui é bonito. fica no alto de uma montanha, e dá pra ver algumas cidades desse interiorzão de são paulo. quando eu quero relaxar, eu sento num banquinho e fico vendo a paisagem. depois, eu deito e fico olhando o céu. é um jeito de pensar em outra coisa além das coisas gostosas que eu não estou comendo.
depois da natação, que eu fiz porque deu vontade, sem professor, e da hidroginástica da tarde, lá fui eu pro banquinho. de roupão. é legal chocar os outros hóspedes.
mas dá pra entender. estamos em uma situação limite. e as pessoas ficam selvagens quando estão nos seus limites. só acho besteira fazer os exercícios de qualquer jeito, parando quando dói ou cansa. seremos gordinhos pra sempre se não aceitarmos os desafios! viram? já tô adotando um discurso motivador chato. bocejem.
é o que eu faço mentalmente quando algum professor grita palavras de estímulo e nos convoca a malditos abraços grupais.
pense antes de falar, mundo, pense.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
15:35
segunda-feira, 26 de abril de 2010
23:20
e quando ele chega e mal pode imaginar que passei boas horas esperando por essa aparição triunfal? e quando eu começo a reparar nos detalhes e tenho vontade de elogiar tudo? e quando eu fico querendo rir por qualquer coisa só por estar perto?
22:52
quarta-feira, 21 de abril de 2010
20:13
o título é, na verdade, uma brincadeira com o fim do meu primeiro blog, cujo nome não vou citar, porque esse google é terrível. nunca achei que fosse abandoná-lo. não precisei, na verdade. até sair de casa e ter que lidar com uma outra carência, a da minha mãe. ganhou de qualquer maluco internético, ela.
bem-vindos.