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quinta-feira, 3 de março de 2011

big brother na firma

[gary barlow] out of the blue, a secretária me chama. o diretor quer falar comigo. eu estranho. pergunto duas vezes se não é engano, já que há outras duas pessoas na empresa com o meu nome. não. é comigo mesmo.

eu não consigo pensar em qualquer motivo, bom ou ruim, para ter sido chamado. em vez de me assustar, fico curioso. entro na sala dele, sento-me à sua frente e pergunto:

- aconteceu alguma coisa?

aconteceu.

aconteceu que a empresa tem uma política obscura de redes sociais, e que eu aparentemente tinha quebrado as regras. minha infração? curtir um post de uma ex-colega, que hoje trabalha na concorrência. tudo dito com a maior serenidade do mundo. "sei que você não teve nenhuma má intenção, mas tome cuidado com isso."

gelei. eu, que sempre tomei todo o cuidado para não me expor em excesso nas redes sociais, estava ouvindo um sermão sobre facebook do chefe do chefe do meu chefe. o diretor monitorava o que eu fazia na internet. e o pior de tudo: eu não sabia quais eram os critérios.

na dúvida, limpei meu perfil. primeiro, excluí todas as fotos de festas. depois, qualquer menção ao consumo de álcool - não gostamos, afinal. em seguida, pensei melhor e resolvi tirar também as fotos em que eu tinha saído mal: já que a audiência é tão ilustre, uma má impressão é um risco que não queremos correr. por fim, aproveitei para mandar para o espaço todas as fotos velhas de que eu não gostava mais. vai saber quando terei paciência para organizar meus álbuns do facebook novamente. melhor fazer tudo de uma vez.

sobraram sete fotos. duas com os colegas de empresa, porque a habilidade de trabalhar em equipe é um dos nossos pontos fortes. duas da colação de grau, para destacar a nossa formação acadêmica. e três com os amigos, porque valorizamos o networking e a construção de boas relações interpessoais.

foi assim, às vésperas do carnaval e em um dia com trabalho dobrado, que meu facebook virou linkedin. não curti.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

artimanhas femininas (00:50)

[gary barlow] não que isso tenha qualquer coisa a ver com vocês ou comigo, mas o peguete de uma colega de trabalho está doente. no hospital, internado. não sei exatamente o motivo. pelo jeito casual como ela deu a notícia ontem, entre uma risada e outra, não deve ser nada grave.

não vou ficar dizendo que ela deveria se sentir mal, visitá-lo ou algo do tipo, porque eles nem são tão próximos assim e, francamente, não é da minha conta. mas fiquei levemente chocado com o que ela disse depois.

"será que ele vai sair do hospital mais magro? ele engordou um pouco desde que a gente começou a ficar. era tão mais bonitinho."

eu ri, claro, assim como todos que estavam no elevador. já vi muitas garotas reclamarem da forma física dos parceiros e arquitetarem planos para fazê-los perder peso. nada de novo. pelo visto os planos têm ficado cada vez mais ousados. as mulheres estão perdendo os escrúpulos de vez, pensei.

daí lembrei da garota deste post (não direi "peguete" porque foi vetado).

ela, que solta muxoxos quando eu falo que, para variar, seria legal se fizéssemos três refeições num dia.

ela, que sempre acaba me convencendo a tomar café na hora do almoço, almoçar na hora do jantar e jantar... as pessoas ainda jantam hoje em dia?

ela, que aparentemente desenvolveu a habilidade de se alimentar somente de bisnaguinhas, coca-cola e (claro) remédios para dor de estômago.

eu engordei seis quilos desde dezembro. quando ela me conheceu, eu já estava com meu peso atual. mas mesmo assim fiquei intrigado. seria eu vítima de um plano feminino para me emagrecer à força? caso a estratégia falhe, qual poderia ser o próximo passo?

quando o elevador chegou ao meu andar, o riso já tinha se transformado em preocupação. preciso parar de adiar minha volta à academia.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

eu tentei (21:39)

[tippi hedren] segui os conselhos de alguns de vocês e tentei, mal e porcamente, estabelecer contato com a minha mãe. como ligar é complicado -- e soaria forçado -- mandei um e-mail. o assunto era "oi!". perguntei se estava tudo bem. fui incapaz de escrever mais coisas. medo de ela me magoar na resposta. ou orgulho puro e simples. ela me respondeu que sim, está tudo bem. e perguntou dos meus gatos, que ela chama de "bebês". ainda não respondi.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

23:20

[tippi hedren] primeiro, rodeios: tive a ilusão de que podia escrever este post de bruços -- não posso, não tenho firmeza. o gato branco se aproveitou desse breve momento e veio massagear minhas costas, com aquelas patas enormes que ele tem. dói, por causa das unhas, mas também é gostoso, porque é o jeito do gato de fazer carinho. eu entendo. gato 1 x 0 cachorro.

este post vai ficar enorme. é sobre uma garota que vive um momento de dúvidas avassaladoras e que não consegue se aproximar da própria mãe, coisas que não estão relacionadas. preciso falar delas neste post porque sou de urgências. minha sessão de análise vai demorar e me dei conta de que se eu não registrar, corro o risco de esquecer o que eu estou pensando, como um mecanismo de defesa, talvez. aí, vou acabar levando outras questões pro divã, o que seria bom se os problemas atuais não voltassem a me assombrar. mas -- e sempre tem um mas -- eles vão. então pare agora. ou não.

mais dois preâmbulos (dizem que quando a pessoa faz rodeio é porque existe resistência. é possível resistir a si mesmo, no próprio blog? hmmm):

encontrei um cara bem gatinho no ponto de ônibus. meio jake gyllenhaal, que não faz o meu tipo, by the way. fui pedir informações e, quando vi, tínhamos engatado uma conversa. ele era perdido. nem sabia o nome do ônibus que deveria pegar, mas jurava que ele passava naquela rua escura em que estávamos. segundo ele, eu precisava pegar esse mesmo ônibus. ele sabia conversar. e, como eu disse, também era bem pegável. foi então que me peguei querendo fugir dele, da conversa, antecipando o momento em que nos sentaríamos juntos no banco do ônibus. o momento chegou, tratei de me sentar antes da catraca. dei um tchau simpático antes, é claro.

isso, meus caros, é uma coisa que eu jamais teria feito. mesmo sem nenhum interesse, eu provavelmente teria continuado a conversa -- que mal tem? percebi, porém, que nenhum outro garoto além do meu garoto me interessa no momento. e que eu não preciso me cercar de pretendentes pra me sentir segura. provavelmente, pela primeira vez na história do meu coração, não há dúvidas: eu só quero você, querido.

essa historinha do ponto de ônibus se passou antes da minha reunião com o diretor de redação mais legal do mundo. ele é tão legal, mas tão legal, que topou tomar um café comigo mesmo sem poder me prometer um emprego. nem vaga existe na revista dele. gestos simpáticos assim me ganham. me ganham!

o cara está nessa revista há anos. vejam bem: ANOS. e nunca pegou um café da máquina do próprio andar. não sabia que botões apertar, colocou um copo a mais na engenhoca, se atrapalhou todo, em resumo. o que só me fez amar mais a pessoa. conversamos sobre cinema, sobre figurões do jornalismo cultural, sobre freud, o cachorro do freud e sobre lacan. acho que ele gostou deveras de saber que estou estudando psicanálise (eu estou! não é incrível?).

agora sim, as questões urgentes.

desde novembro, acho, sou voluntária do cvv. sim, aquele "serviço" telefônico que ajuda pessoas em situação de desespero. pela terceira vez, faltei. eu deveria estar lá agora, no momento em escrevo este post quilométrico. não consegui. embora eu consiga lidar muito bem com certas ligações, outras acabam comigo, com a minha paciência.

é assim: eu consigo conversar longamente com quem descobriu que tem HIV, por exemplo, mas não tenho boa vontade alguma com pessoas que ligam toda semana, com o mesmo problema. tendo a desprezá-las e mesmo a ter raiva de sua imobilidade. e eu sei, por deus eu sei, o quanto pode ser difícil sair do lugar.

outra coisa que neste momento me faz repensar o voluntariado é a dedicação que ele exige. toda terça -- das 22h às 2h. isso me complica, porque falta tempo pra dormir, pra ficar de bobeira, pra estudar, pra postar aqui (tava precisando!) e no blog famoso. ou talvez eu só esteja procurando desculpas.

outra coisa é que eu não acredito totalmente na minha utilidade. acho que certas demandas -- pra não dizer todas as demandas -- dependem de um trabalho contínuo. uma ligação pode, no máximo, ajudar a pessoa a se sentir melhor por desabafar. mas rá! eu não consigo apenas ouvir. eu me envolvo. eu fico analisando. faço perguntas, desejo que a pessoa se questione. e isso contraria a filosofia do cvv. e contraria muitas das pessoas que ligam. algumas delas não querem ser questionadas. têm seus motivos, é claro. outras, por outro lado, topam o desafio e, quando a ligação acaba, estamos ambos bem. porque, né? eu me destruo com cada dor. eu me espanto. eu não fico alheia jamais. talvez por isso eu esteja cansada. e fugindo.

semana passada, discuti com um voluntário que me pediu para desligar ou pelo menos guardar o celular. eu expliquei que não atendia ligações, apenas usava a internet durante o intervalo das ligações para o cvv. ele não quis saber. disse que uma instituição só se sustenta porque existem regras bla bla bla. travamos uma longa e tensa conversa sobre direitos e deveres. eu disse que não iria guardar o celular coisa nenhuma, porque a qualidade do meu atendimento não é garantida com base nisso. ele disse que eu deveria me queixar à direção. eu odeio burocracia e deixei isso bem claro. ele me acha arrogante, provavelmente. e agora que eu faltei, também deve me achar irresponsável. não posso dizer que ele está de todo errado.

sobre a minha mãe, poucas linhas: tenho saudade dela, penso nela, mas não consigo manter contato. isso acaba comigo. me dedico mais a estranhos do que a pessoas próximas. l de loser pra mim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

post rascunhado ontem, editado hoje, postado agora

[tippi hedren] acho que gary barlow cumpre melhor do que eu a função de escritor de blog diarinho. eu disse a ele: "sabe o que eu acho? que vou acabar dando o contrastalker pra você". para minha infelicidade, ele respondeu: "jamais ficarei sozinho no blog", de modo que continuo aqui, com meus posts que não geram comentários (sim, estou toda trabalhada no recalque e não vou esconder).

gary e eu nos conhecemos há quase dois anos. não entendo como a amizade nasceu, para ser sincera. ele passava perto da minha mesa, erguia a mão direita e me dava um animado "oi". eu achava curioso, porque não tínhamos sido apresentados. mais tarde, entendi que ele me via como uma igual, um animal da mesma espécie, ameaçado pelos mesmos predadores. trocando em miúdos, ele achava que eu era estagiária, assim como ele. de acordo com gary barlow, eu não aparento a idade.

o que eu acho, porém, é que o meu lado fofo e gentil faz com que as pessoas me vejam como um ser inocente, desprovido de maldade, uma característica perdida ao longo do tempo nesse mundo hostil que nos abriga. mas há as exceções. sou uma delas e trago a palavra naïve tatuada no peito. seria isso -- a inocência do coração -- garantia de juventude eterna?

voltando ao início de minha amizade com gary barlow.

um dia, após tantos cumprimentos afáveis, fui me juntar a ele no restaurante da firma. nesse dia, eu estava atrapalhada e fiz a mesma pergunta duas vezes ou mais. não sei como continuamos conversando. não sei como passamos a conversar ainda mais. e depois a frequentar animadas festinhas no baixo augusta. ok, foi só uma. hoje, chegamos ao ponto em que toda boa amizade chega: uma mistura de honestidade, sarcasmo e amor. a gente diz o que pensa, dá pitaco, tira sarro, magoa de levinho e volta às boas.

por isso, adoro o fato de ele escrever aqui. adoro o que ele escreve aqui. mas sinto ciuminho, dorzinha de cotovelo e quetais. não porque o mundo vai saber como ele é legal. isso eu adoro. o problema é aprender a dividir o espaço, a reconhecer a fama do coleguinha -- ou do filho preferido. vou tentar elaborar na terapia. beijos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

16:40

[gary barlow] dúvida prática:

por um lado, sou "um homem que liga", como diz uma colega ilustre. estou precisando conhecer pessoas novas. e é quase sempre melhor estar acompanhado do que sozinho.

por outro lado, talvez ela tenha dado o número mais por educação do que por interesse. talvez eu tenha pedido mais por educação do que por interesse. e talvez seja tarde. timing nunca foi meu forte.

ligo ou não ligo?

pode ser o caso de abrir uma votação. alguém quer ajudar a sabotar minha vida? às vezes cansa fazer isso sozinho.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

17:12

[tippi hedren] é aceitável sofrer por meses por causa de um texto? e adiar a entrega do texto até o limite do prazo?

não me sinto capaz de escrever de maneira decente, tampouco confio na minha apuração, mesmo tendo ouvido seis fontes.

acho que vou perder o prazo. também acho uma chatice o tema da minha reportagem, embora todo o processo de apuração tenha sido interessante.

queria escrever um e-mail choroso para o meu editor confessando a minha incapacidade. eu jogaria tudo para o alto e me sentiria livre. no segundo seguinte, louca. fora que ficaria difícil arranjar emprego depois.

por que eu ainda acho que posso ser feliz aqui?

maldita confiança no futuro.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

20:31

[gary barlow] "mercúrio provoca instabilidade em comunicações e mercados. você, virginiano, faz parte da tribo que sente mais os aspectos de mercúrio, pois ele de muitas formas comanda seus caminhos. e hoje ele está descompassado, desatento, inclinado a acidentes."

diante disso, meus caros, a solução é ir embora. rápido. e tomar cuidado com a chuva. porque, de resto, não há nada que possa piorar.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

20:27

[tippi hedren] tô melhor. entreguei a arte da minha matéria em tempo recorde. fiz tão rápido que ela deve estar errada. mas, se estiver aceitável, minha crença em mim mesma vai aumentar consideralvemente. por outro lado, vou morrer de raiva de mim por ter adiado por semanas essa droga dessa arte que foi tão ridícula de fazer, afinal.

ufa.

tô até mais animada para o meu plantão de hoje no cvv. porque eu sei que eu vou sofrer. toda segunda eu sofro. é dolorido ouvir sobre a dor das pessoas. os seus desacertos. eu também sei que eu vou ficar irritada. todo santo plantão, a mesma pessoa me liga. com o mesmo problema. e ela liga há anos. que triste essa imobilidade dela. meu coração se quebra. ela não consegue ter nenhum momento de felicidade.

e...

será que é esse o meu medo? de ficar presa como essa pessoa está presa? vai ver é por isso que ela me irrita tanto. projeção etc.

sendo otimista, meu dia foi de progressos. um arte entregue, duas bananas, uma barra de cereal, mais água do que o habitual, uma consulta médica marcada, pensando modos de usar o dinheiro com inteligência.

ainda falta eu ser mais sociável. nunca recusei tantos convites para almoçar ou tomar café. o problema não são as pessoas. o problema é que eu gosto de ficar no meu mundo, fazendo as minhas coisas. e aí, quando eu vejo, é hora de tocar a vida. e me falta tempo. então eu adio a interação, que é uma coisa fácil de fazer. espero que elas, as pessoas, me esperem. tô tentando ser melhor.

18:47

[tippi hedren] e sabe o que mais? eu sou uma fraude. eu prometo coisas pra mim. coisas que eu sei que eu não vou conseguir cumprir. a minha vida não é organizada. não é bonita de se mostrar. porque eu tenho que acordar cedo e fazer algum tipo de exercício e eu não faço. eu tenho um texto pra entregar. eu me perco, eu desconfio, eu escrevo mal, eu tenho preguiça e medo do resultado. não entrego. durante semanas, eu ignoro o texto. e quando faltam poucos dias para o prazo terminar, eu viro um turbilhão de culpa e sofro até perder a última célula do meu fígado. eu me destruo. me pego sonhando com trabalhos burocráticos. para acordar em seguida e recitar para mim mesma que eu preciso ser uma pessoa que pensa. estou presa nas minhas armadilhas. eu tenho listas. eu sei o que precisa ser feito. eventualmente, eu consigo. hoje, por exemplo, me forcei a comer direito e a marcar uma consulta médica. eu consegui. e que sacrifício por tão pouco. gostaria muito de saber como é levar uma vida regrada, com as coisas funcionando. o meu relógio... ele não respeita nada.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

29 de dezembro de 2007

[tippi hedren] achei o texto abaixo perdido na minha pasta de drafts. eu não publiquei por alguma razão, agora esquecida. não sei se vai dar tempo de fazer um balanço de 2010. espero que sim. enquanto isso, o de 2007. fiquei surpresa quando li. sou eu ali. igualzinha. mas tão diferente também...

2007 foi um ano de contrastes. aconteceram coisas boas e outras tantas incômodas. mas, pensando bem, todo ano tem que ter esse equilíbrio entre as coisas totalmente dispensáveis e as bacanas. não há anos só bons ou só terríveis. há os acontecimentos, esses sim agrupados em bons e terríveis.

na lista dos acontecimentos perfeitos, incluo o emprego 2. esperei bastante para fazer parte da tal grande imprensa. foi só depois de formada que fui parar nela e acho que foi muito bom não carregar mais a inocência universitária ao adentrar o mundo das hard news, embora eu me considere ainda muito bobinha sob alguns aspectos.

de toda forma, eu não quero perder, em 2008 e nos próximos anos, essa minha bobice, porque é ela que me faz ser diferente. no ano que vem, eu pretendo continuar com a minha honestidade de risco, não importa a influência do meio ambiente sobre ela.

o emprego 2 quase foi um affairzinho besta neste ano que está pra acabar. porque eu cheguei a desistir dele pra ficar só no emprego 1. eu achei que daria conta do perrengue, que era tipo uma superjornalista, mas não rolou. fiquei cansada, fiquei frustrada, fiquei puta da vida e joguei pro alto. mas aí algumas coisas mudaram e eu resolvi encarar a briga, mais uma vez. vou tentar de verdade, não só part-time, antes de dizer um adeus tímido e incerto. em 2008, pois, não tem mais emprego 1 e 2, tem "o" emprego apenas.

vou sentir falta da editora, muita falta. mas eu sei que tá na hora de encarar o novo, sem medo, com paciência. afinal, fomos sempre nós duas, a santa paciência e eu, desde o começo.

na lista dos bons acontecimentos, também incluo as pessoas queridas que fizeram parte da minha vida em 2007. teve um monte de amigo véio de guerra e também as pessoas novas que chegaram e foram puxando uma cadeira e, quando a gente viu, tava amarrado o laço.

vou deixar claro, aqui, que eu não sou muito de ligar e mandar e-mail, essas coisas feitas "pra não perder contato". as pessoas que importam, porém, estão sempre comigo de algum jeito. de qualquer forma, espero que em 2008 eu consiga ser uma amiga mais presente.

2007 passou e eu consegui resolver parte dos meus problemas financeiros, o que dá um alívio tremendo. aparentemente, eu sou uma pessoa que sabe cuidar do próprio dinheiro.

nota de rodapé: não precisa, né?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

15:54

talvez o contrastalker passe a ser escrito por um garoto. eu sugiro que ele seja o river phoenix. ele acha triste, porque o river morreu jovem. eu disse a ele que os bons morrem jovens. e que o river combina com a tippi. eu disse assim: "vc pode ser o river phoenix. era pra ser. não foi. tipo a tippi". ele ainda não sabe se vai aceitar meu convite. tá com medo de não ter nada que interesse a dizer. eu sei que ele tem.

eu vivi o meu primeiro plantão no trabalho voluntário ontem. foram meses de treino e de simulações. a gente treinou tanta coisa, testou ouvir quase todo tipo de dor. da perda, de não ser querido, de ser sozinho, de ter problemas, muitos deles. e eu achei que seria tranquilo, que eu estava pronta. não foi. fiquei acabada. pensando que porra de privilégio é esse que eu tenho de ter uma vida boa, apesar das minhas dores.

eu nunca fui internada pela minha família. eu tenho amigos. eu tenho um trabalho. eu tenho desejos. por que eu tenho? por que eles não têm? nada explica isso. e que não me venham com um papo religioso. eu não caio nessa.

foi complicado ouvir uma repetição infinita dos problemas mesmo quando, juntos - a pessoa e eu -, conseguimos ver uma luz fraquinha. e aí eu dizia que precisava desligar. e sentia que não tinha de fato ajudado a pessoa. sofrido. mas vou continuar tentando. quem sabe eu percebo que o processo todo ajuda de alguma forma.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

21:45

eu falo mais do que "oi" com cinco pessoas daqui. primeiro veio a a., que é uma menina de são paulo, como eu. a a. tem 37 anos, mas a gente olha pra ela e dá uns 27. ela trabalha no tribunal de justiça, acho. se formou em tradução. é ruiva, extremamente tímida, usa aparelho e pesa a mesma coisa que eu. ela já perdeu um monte de quilos antes de vir pra cá.

a a., eu já percebi, é obstinada. cortou os doces da vida, não come nem os dietéticos que servem aqui. anda rápido e deixa todo mundo pra trás na caminhada. comprou um relógio que conta a pulsação e tá toda feliz com o brinquedinho.

ela tem alergia a um monte de coisas e na quinta-feira eu vou pra "cidade" com ela, porque ela precisa tomar vacinas toda semana.

eu não sei o que eu sinto por essa moça. às vezes, ela me irrita com o radicalismo todo. outras vezes, eu tenho vontade de cuidar dela.

depois, veio a l., que a a. me apresentou. a l. é uma senhora bonita, refinada. demanda muita atenção, porque gosta de falar pelos cotovelos. tem opinião sobre tudo. está aqui há mais de um mês e só perdeu uns 2 quilos. ela diz que o seu metabolismo é lento. eu acho que ela sofre muito, na verdade.

aí tem a menina que eu não sei o nome. ela é a mais empolgada com tratamentos estéticos, massagens orientais, com lama, banho disso, daquilo etc. ela é divertida. tem um sotaque ótimo, do interior. faz questão de mostrar pras pessoas a foto de quando ela era gorda. eu ainda não vi. e também não fiz nenhum tratamento estético. acho que dá pra pensar nisso com uns 40 anos. até lá, quero preservar meu lado trash.

a s. (nome da minha filha, se eu tiver uma) é a que tem o papo mais legal. ela deve estar perto dos 40, é dentista, mas fez direito depois e agora só trabalha com advocacia. ela poderia ser chata, uma vez que ela tem uma voz muito chata, mas ela é muito agradável. tem mil histórias familiares e a gente pensa de um jeito meio parecido sobre a criação de animais e crianças, embora eu não me sinta nem um pouco apta a criar seres humanos. ela tem um bulldog e isso conta 50 pontos a favor dela. ela também tem muitas expressões faciais, o que eu acho ótimo.

por último, o melhor. com vocês, m. m. tem 65 anos e é viúva há 13. ela joga toda a culpa dos seus 130 quilos na morte do marido. ela reclama muito da comida. a gente começou a conversar porque ela estava justamente blasfemando contra a dieta. e eu tentando consolar. aí, ela veio com o papo do "rosto lindo e corpo zoado" e eu desanimei.

mas então ela me surpreendeu. fui tomar uma ducha e ela elogiou as minhas tatuagens. achou tudo lindo e disse que vai fazer algumas em homenagem aos netos. "borboletinha pras meninas, né?", ela disse. os filhos dela criticam muito essa vontade. eu dei a maior força. depois, ela desembestou a falar, porque eu fui perguntando tudo.

me contou que tinha um namorado, também criticado pelos filhos. e agora ela deu um basta nessa relação, porque descobriu que ele é "mulherengo", mas não tenho certeza de que foi essa a palavra que ela usou.

ela viajou para os estados unidos com esse cara, bancando tudo. até roupa e declaração para o visto. ele é mais novo. tem menos de 50. eu só disse "cuidado pra ele não se aproveitar da senhora". ela respondeu "ah, ele não tinha condição de pagar e eu queria ir com ele". eu, que defendo a livre crença e a ilusão terapêutica, não disse mais nada.

fiquei morrendo de curiosidade quando ela contou desse namorado. uma coisa que eu sempre quis saber como funciona é o sexo dos velhinhos. aí, eu disse: "posso fazer uma pergunta íntima"? e ela: "claro". perguntei: "como era er... o sexo? bom?" ela abriu o maior sorriso da piscina e disse que é melhor do que antes, que ela tem o maior fogo agora, embora o marido fosse um "safado bom de cama". ela se divertia com o ex três vezes por noite (bem melhor do que a minha média, diga-se).

ela fala disso tudo com as netas, principalmente sobre usar camisinha. isso desperta a ira das mães das meninas (?!). m. me chama de "amiguinha".

17:27

tô de maiô, evitando molhar a cadeira do spa. tô cheia de energia também. tentei dormir à tarde, na piscina e no quarto, porque eu adoro dormir. a surpresa gigante foi que eu não consegui, mesmo pegando no sono só às 2h de ontem. nasceu um pique em mim que... uau. agora entendo quem malha feliz. quero tanto conseguir fazer isso quando sair daqui... descobri que suco de morango com banana é o céu. também descobri que era triste acordar ao meio-dia. perdia um tempão cultivando a minha pancinha quando poderia estar matando todas as malditas células adiposas que brotaram em mim. e isso me faria uma pessoa mais feliz. feliz em uma simples calça jeans. tô achando que desta vez não vou desistir de uma vida melhor e de um reflexo animador no espelho. mas sempre tem a porra de um big mac no meio do caminho. tudo bem se eu comer sem culpa e depois correr milhas?

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

20:36

um spa. eu. nós. imaginava que seria revistada na entrada e que aquele chocolatinho escondido no fundo da mala seria confiscado. também imaginava obrigações esportivas sem fim. meu estômago rugia em protesto à fome que ele sabia estar próxima.

imaginei certo, exceto pela parte do chocolatinho, que eu não trouxe. autoenganação: vamos estar evitando.

um alívio: aqui é bonito. fica no alto de uma montanha, e dá pra ver algumas cidades desse interiorzão de são paulo. quando eu quero relaxar, eu sento num banquinho e fico vendo a paisagem. depois, eu deito e fico olhando o céu. é um jeito de pensar em outra coisa além das coisas gostosas que eu não estou comendo.

depois da natação, que eu fiz porque deu vontade, sem professor, e da hidroginástica da tarde, lá fui eu pro banquinho. de roupão. é legal chocar os outros hóspedes.

eles me irritam um pouco. falam demais, palpitam demais, perguntam demais. é como se cada um precisasse falar de si e se comparar ao outro pra aliviar o peso da privação. alguns são muito reclamões também. hoje uma mulher se exaltou no almoço. ela dizia "no prato dela tem mais comida do que no meu!". eu achei bem engraçado.

outro exemplo do comportamento doentio observado: duas hóspedes decidiram passar a tarde no shopping, em vez de fazer exercícios. vida delas, né? mas criticaram, claro. e com ar de deboche, fruto do mais puro ódio. é todo mundo espelho do outro aqui. vai tentar quebrar pra você ver. te fuzilam. enche um pouco o saco.

mas dá pra entender. estamos em uma situação limite. e as pessoas ficam selvagens quando estão nos seus limites. só acho besteira fazer os exercícios de qualquer jeito, parando quando dói ou cansa. seremos gordinhos pra sempre se não aceitarmos os desafios! viram? já tô adotando um discurso motivador chato. bocejem.

é o que eu faço mentalmente quando algum professor grita palavras de estímulo e nos convoca a malditos abraços grupais.

fora essa amargura, tô mais ok do que pensava que estaria. comendo MUITO pouco (muitas vezes ao dia, pra compensar), mas descobrindo que é possível se sentir superbem depois de correr ou de nadar. e que se eu fizer isso com frequência, eu posso sempre comer coisas deliciosas e continuar tendo uma vida divertida.

comida, eu deveria saber, é só comida. mas ignoro essa informação. e comida vira alegria, afeto, companhia e outras coisas que nem sei nomear. "faz bem" pra cacete comer uma panela de brigadeiro. foda é fazer isso quase a vida inteira e descobrir que só umas três peças de roupa te servem. ou ser sempre tomada por gestante. ou ouvir a pior frase ever, que é "tem um rosto tão lindo...". porque se eu não tivesse, segundo quem diz, eu poderia comer até a morte, é isso?

pense antes de falar, mundo, pense.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

15:35

agora eu tô assim. adicionando como amigo no facebook tudo quanto é artista mezzo desconhecido que eu gosto. tem leo cavalcanti, tulipa ruiz, tita lima e karina buhr. fazer o quê se eu amo a sensação de que estou perto deles? difícil é controlar a vontade de tietar no bate-papo. com certeza, eles devem suspirar resignadamente cada vez que um fã tenta se fazer de amigo. ou eles ficam animados. de todo modo, que assunto que a gente puxa? só rola puxar o saco mesmo. e isso eu me recuso a fazer, porque é o que todo mundo faz. mas bem que eu queria ter coragem de ficar no senso comum e babar dúzias de ovos. pior que não ter o que falar é ver leo no meio da rua durante o show da tulipa na virada cultural. tão perto, tão longe. #suspiros. fiquei tentando fazer contato visual, mentalizei dicumforça um "olha pra mim, olha pra mim". e nada. também eu queria o quê? paquerar o cara? que puta coisa de groupie.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

23:20

e se ele for com ela? como disfarço a minha dor de cotovelo, a minha desolação, minha falta de traquejo? saio correndo ou fico bêbada como nunca fiquei? finjo que tá tudo bem? dou oi? armo cena? não, esta opção não. nunca consegui na vida.

e quando ele chega e mal pode imaginar que passei boas horas esperando por essa aparição triunfal? e quando eu começo a reparar nos detalhes e tenho vontade de elogiar tudo? e quando eu fico querendo rir por qualquer coisa só por estar perto?

22:52

todos os horóscopos dizem que, por causa da influência de vênus, eu vou atrair pessoas. não vou discutir. hoje, recebi olhares diversos. descarados. o melhor foi o do caixa do mcdonald's. não se importou com o fato de eu perceber. talvez a intenção fosse justamente essa. esqueço que nem todo mundo paquera escondido como eu.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

20:13

eu gosto de stalkers. é reconfortante receber atenção. e é tão legal quando alguém vai num blog que é seu, lê um post ou mais e, a glória perpétua, comenta. seguidas vezes. sonho pra mim é um leitor que vem todo dia conferir se tem post novo. mas isso é coisa pra gente do quilate mary w., não do meu.

o título é, na verdade, uma brincadeira com o fim do meu primeiro blog, cujo nome não vou citar, porque esse google é terrível. nunca achei que fosse abandoná-lo. não precisei, na verdade. até sair de casa e ter que lidar com uma outra carência, a da minha mãe. ganhou de qualquer maluco internético, ela.

bem-vindos.