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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

post rascunhado ontem, editado hoje, postado agora

[tippi hedren] acho que gary barlow cumpre melhor do que eu a função de escritor de blog diarinho. eu disse a ele: "sabe o que eu acho? que vou acabar dando o contrastalker pra você". para minha infelicidade, ele respondeu: "jamais ficarei sozinho no blog", de modo que continuo aqui, com meus posts que não geram comentários (sim, estou toda trabalhada no recalque e não vou esconder).

gary e eu nos conhecemos há quase dois anos. não entendo como a amizade nasceu, para ser sincera. ele passava perto da minha mesa, erguia a mão direita e me dava um animado "oi". eu achava curioso, porque não tínhamos sido apresentados. mais tarde, entendi que ele me via como uma igual, um animal da mesma espécie, ameaçado pelos mesmos predadores. trocando em miúdos, ele achava que eu era estagiária, assim como ele. de acordo com gary barlow, eu não aparento a idade.

o que eu acho, porém, é que o meu lado fofo e gentil faz com que as pessoas me vejam como um ser inocente, desprovido de maldade, uma característica perdida ao longo do tempo nesse mundo hostil que nos abriga. mas há as exceções. sou uma delas e trago a palavra naïve tatuada no peito. seria isso -- a inocência do coração -- garantia de juventude eterna?

voltando ao início de minha amizade com gary barlow.

um dia, após tantos cumprimentos afáveis, fui me juntar a ele no restaurante da firma. nesse dia, eu estava atrapalhada e fiz a mesma pergunta duas vezes ou mais. não sei como continuamos conversando. não sei como passamos a conversar ainda mais. e depois a frequentar animadas festinhas no baixo augusta. ok, foi só uma. hoje, chegamos ao ponto em que toda boa amizade chega: uma mistura de honestidade, sarcasmo e amor. a gente diz o que pensa, dá pitaco, tira sarro, magoa de levinho e volta às boas.

por isso, adoro o fato de ele escrever aqui. adoro o que ele escreve aqui. mas sinto ciuminho, dorzinha de cotovelo e quetais. não porque o mundo vai saber como ele é legal. isso eu adoro. o problema é aprender a dividir o espaço, a reconhecer a fama do coleguinha -- ou do filho preferido. vou tentar elaborar na terapia. beijos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

gary pediu, gary vai ter

[tippi hedren] tudo devidamente explicado ao final de cada post da recente tag e-mails chats etc

amor, desamor e outras drogas
o passado
rodeios
relações não saudáveis

18:39

[tippi hedren] achei que deveria explicar o que significa a tag e-mails chats etc, embora ela seja autoexplicativa.

bom.

decidi compartilhar conversas via e-mail, msn e gtalk porque elas são o registro de quem eu era, de acordo com os outros e de acordo comigo mesma. vocês não sabem, mas entre esses e-mails há uma porção que escrevi e não tive coragem de enviar. mexo nesses esqueletos porque acho que eles têm muito a revelar.

sem o contexto, talvez não seja possível entender as conversas. porém, o que eu espero que aconteça é que cada um interprete os textos à sua maneira. afinal, os sentimentos são os mesmos, as histórias é que mudam.

tive a ideia de expor essas conversas quando comecei a ler correspondência incompleta. são cartas, postais e fotos que a escritora ana cristina cesar compartilhou com algumas amigas durante alguns anos. “cartas e biografias são mais arrepiantes do que a literatura”, ela disse. e tem toda razão. de tão intenso, não aguentei. parei no começo, tentando me proteger.

entre o final de 2006 e o início de 2007

[tippi hedren] "... essa última conversa deixou uma sensação ruim. incapacidade de compreender por que estávamos nos massacrando daquele jeito. como é possível duas pessoas serem tão duras uma com a outra, sendo que se gostam?

foi mais uma discussão longuíssima, cheia de você isso, você aquilo – dos dois lados – e nada prazeroso ou uma nova ideia.

o mais estranho é que há tempos a gente se prendeu nessa teia de desprazeres e mesmices. achávamos que o melhor caminho era a conversa. eu até acho que seja. mas com a gente não funcionou. falávamos demais e não tínhamos tempo de viver. vivemos muito pouco ou poucas coisas boas.

mesmo quando tudo estava bem, eu não vivi o que poderia ter vivido. medo de falar alguma bobagem, medo de cobrar algo, medo de fazer algo "errado" e estragar tudo. o medo. sempre ele."

nota de rodapé: e-mail escrito por mim. nunca chegou ao destinatário. aliás, ele não recebeu 90% dos e-mails que eu escrevi. ele destruiu meu coração.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

19 de outubro de 2006

O banho ajudou pouco, desta vez...

Ouço Elvis Costello. "North", um álbum feito inteiramente (ou quase) de melodias tristes. "This album is about melody, harmony, mood and emotion -- mostly emotion", disse o autor. Lembra-me o maravilhoso "In the Wee Small Hours", do Sinatra, que muitos consideram o primeiro álbum "conceitual" da história (e que o fulano precisa me devolver -- está há meses com ele!), bem antes daquelas pretensões progressivas que você tão bem conhece. (Não significam que sejam ruins, só por serem obras pretensiosas. E, de qualquer maneira, são milhões de vezes melhores do que as porcarias indies que você anda a "descobrir" atualmente, hehehe.)

Falando em "hehehe", você nota que mesmo durante nossas discussões há momentos de desconstração. É bom manter o humor, já dizia aquele professor. Ele reclama da falta disso na política, tanto na esquerda quanto na direita. E mostra um vídeo do subcomandante Marcos dando tiradas ótimas (há alguns vídeos dele no YouTube, mas não conferi se há humor neles).

Aliás, a declaração do voto em Lula feita pelo Ziraldo é um bom exemplo de humor na política: http://www.pt.org.br/site/noticias/noticias_int.asp?cod=45724

Tá vendo? É foda. Já tô desviando do assunto principal do e-mail.

(um parágrafo sobre o assunto principal do e-mail)

Porra, quando foi a última vez que falamos de futebol? Ah... Que tristeza.

nota de rodapé: e-mail escrito por um amigo que virou namorado e cujo coração eu destruí. não me orgulho. nem um pouco.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

29 de dezembro de 2007

[tippi hedren] achei o texto abaixo perdido na minha pasta de drafts. eu não publiquei por alguma razão, agora esquecida. não sei se vai dar tempo de fazer um balanço de 2010. espero que sim. enquanto isso, o de 2007. fiquei surpresa quando li. sou eu ali. igualzinha. mas tão diferente também...

2007 foi um ano de contrastes. aconteceram coisas boas e outras tantas incômodas. mas, pensando bem, todo ano tem que ter esse equilíbrio entre as coisas totalmente dispensáveis e as bacanas. não há anos só bons ou só terríveis. há os acontecimentos, esses sim agrupados em bons e terríveis.

na lista dos acontecimentos perfeitos, incluo o emprego 2. esperei bastante para fazer parte da tal grande imprensa. foi só depois de formada que fui parar nela e acho que foi muito bom não carregar mais a inocência universitária ao adentrar o mundo das hard news, embora eu me considere ainda muito bobinha sob alguns aspectos.

de toda forma, eu não quero perder, em 2008 e nos próximos anos, essa minha bobice, porque é ela que me faz ser diferente. no ano que vem, eu pretendo continuar com a minha honestidade de risco, não importa a influência do meio ambiente sobre ela.

o emprego 2 quase foi um affairzinho besta neste ano que está pra acabar. porque eu cheguei a desistir dele pra ficar só no emprego 1. eu achei que daria conta do perrengue, que era tipo uma superjornalista, mas não rolou. fiquei cansada, fiquei frustrada, fiquei puta da vida e joguei pro alto. mas aí algumas coisas mudaram e eu resolvi encarar a briga, mais uma vez. vou tentar de verdade, não só part-time, antes de dizer um adeus tímido e incerto. em 2008, pois, não tem mais emprego 1 e 2, tem "o" emprego apenas.

vou sentir falta da editora, muita falta. mas eu sei que tá na hora de encarar o novo, sem medo, com paciência. afinal, fomos sempre nós duas, a santa paciência e eu, desde o começo.

na lista dos bons acontecimentos, também incluo as pessoas queridas que fizeram parte da minha vida em 2007. teve um monte de amigo véio de guerra e também as pessoas novas que chegaram e foram puxando uma cadeira e, quando a gente viu, tava amarrado o laço.

vou deixar claro, aqui, que eu não sou muito de ligar e mandar e-mail, essas coisas feitas "pra não perder contato". as pessoas que importam, porém, estão sempre comigo de algum jeito. de qualquer forma, espero que em 2008 eu consiga ser uma amiga mais presente.

2007 passou e eu consegui resolver parte dos meus problemas financeiros, o que dá um alívio tremendo. aparentemente, eu sou uma pessoa que sabe cuidar do próprio dinheiro.

nota de rodapé: não precisa, né?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

18:43

ele: eu, você, os malucos amam e desamam. os normais constroem relacionamentos (daí quando vai mal, cai bem uma reforma ou uma demolição).

eu: mas a demolição dos normais não é o desamor dos malucos?

ele: os malucos desamam com a obra perfeita ainda...

nota de rodapé: conversa via msn sobre gente que, aparentemente do nada, mata a bonita plantinha do amor e joga sal em cima.