domingo, 30 de janeiro de 2011
17:10
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
20:27
ufa.
tô até mais animada para o meu plantão de hoje no cvv. porque eu sei que eu vou sofrer. toda segunda eu sofro. é dolorido ouvir sobre a dor das pessoas. os seus desacertos. eu também sei que eu vou ficar irritada. todo santo plantão, a mesma pessoa me liga. com o mesmo problema. e ela liga há anos. que triste essa imobilidade dela. meu coração se quebra. ela não consegue ter nenhum momento de felicidade.
e...
será que é esse o meu medo? de ficar presa como essa pessoa está presa? vai ver é por isso que ela me irrita tanto. projeção etc.
sendo otimista, meu dia foi de progressos. um arte entregue, duas bananas, uma barra de cereal, mais água do que o habitual, uma consulta médica marcada, pensando modos de usar o dinheiro com inteligência.
ainda falta eu ser mais sociável. nunca recusei tantos convites para almoçar ou tomar café. o problema não são as pessoas. o problema é que eu gosto de ficar no meu mundo, fazendo as minhas coisas. e aí, quando eu vejo, é hora de tocar a vida. e me falta tempo. então eu adio a interação, que é uma coisa fácil de fazer. espero que elas, as pessoas, me esperem. tô tentando ser melhor.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
20:36
imaginei certo, exceto pela parte do chocolatinho, que eu não trouxe. autoenganação: vamos estar evitando.
um alívio: aqui é bonito. fica no alto de uma montanha, e dá pra ver algumas cidades desse interiorzão de são paulo. quando eu quero relaxar, eu sento num banquinho e fico vendo a paisagem. depois, eu deito e fico olhando o céu. é um jeito de pensar em outra coisa além das coisas gostosas que eu não estou comendo.
depois da natação, que eu fiz porque deu vontade, sem professor, e da hidroginástica da tarde, lá fui eu pro banquinho. de roupão. é legal chocar os outros hóspedes.
mas dá pra entender. estamos em uma situação limite. e as pessoas ficam selvagens quando estão nos seus limites. só acho besteira fazer os exercícios de qualquer jeito, parando quando dói ou cansa. seremos gordinhos pra sempre se não aceitarmos os desafios! viram? já tô adotando um discurso motivador chato. bocejem.
é o que eu faço mentalmente quando algum professor grita palavras de estímulo e nos convoca a malditos abraços grupais.
pense antes de falar, mundo, pense.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
15:18
nesses momentos, eu vejo que me importo mais do que deveria com o que eu deveria ser ou ter e fico estabelecendo comparações terríveis pra minha autoestima.
elas, essas garotas que eu sempre encontro, trabalham em uma revista feminina da mesma editora que responde pela minha revista.
não sei se elas precisam ser ou se gostam de ser ou se apenas são, mas o fato é que elas se parecem muito com as mulheres que aparecem na revista delas. não as modelos. é como se elas fossem as leitoras que elas imaginam que existam. as chamadas mulheres-alfa, a quem a revista se dirige. mulheres que têm uma carreira, um marido, filhos e ainda são lindas, malham, prestam atenção às tendências e, por deus, têm dinheiro pra bancar essa porra toda.
elas são magras. e eu com a minha camiseta roxa, minha saiona preta. praticamente morro de vergonha dos meus braços gordinhos, da minha barriga, das minhas bochechas de quico. e ainda falo as coisas erradas!
- olha só, tá toda a faculdade praticamente na revista x.
- é, que legal.
- só falta você, tippi.
- tem vaga?
- agora não...
- olha, eu gosto muito da sua revista (de fato, eu gosto quando tô no mood mulherzinha. também tem umas reportagens boas, às vezes). mas acho que ainda preciso me testar mais na revista y, pois nem sempre escrevo e eu quero escrever mais blá blá blá (o velho papo de sempre).
- ah tá, eu só tava falando, mesmo.
tipo, não era pra eu levar a sério. não era uma proposta de trabalho, lógico. tudo culpa dessa dificuldade interpretativa que eu tenho às vezes. e aí o assunto morreu e eu fiquei só ouvindo a conversa delas, que era sobre como a tpm se tornou fútil.
e eu todo tempo pensando que queria comer mais alguma coisa, mas fiquei com vergonha de levantar na frente delas. praticamente podia ouvir seus pensamentos, todos mais ou menos assim: "- nossa, a tippi engordou, né? não sei como tem mulher que não se cuida. tanta academia por aí etc."
é, eu sofro com essas merdas.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
23:23
detalhe importante: não serve ler coisa que exige concentração. é como se a brochura fosse uma TV aberta. e, como tal, a qualidade tem de ser duvidosa. você simplesmente não deve precisar pensar. é a brecha perfeita para mergulhar nas previsíveis tramas dos livros de mulherzinha como comer, rezar, amar ou em seu lugar, porcarias que eu absolutamente adoro. pausa para suspiro de alívio pós confissão vexaminosa. (tô ouvindo, neste exato momento, never say goodbye, do bon jovi, aproveitando a deixa.)
eu tinha onde comer, mas me faltava o livro ruim. fui à banca de jornais. na primeira, nenhum título "interessante". eis que na vitrine da segunda dou de cara com como me livrar de matthew. perfeito, pensei. é romance de mulherzinha, aparentemente um bouquet de clichês recheados de paixão e frustração e custa R$ 12,90.
aí, pedi o título ao senhor japonês dono da banca. ele, ocupado, pediu ao moço que com ele trabalha. repeti o nome do título. e ele perguntou - se livrar do quê?. e eu - do matthew. espirituoso, ele continuou: - manda e-mail. e eu só ria, claro. aí, um cara xis que também estava na banca opinou: - não atende as ligações dele. já com o livro em mãos, ele diz: - nossa, comprido. deve ser chato mesmo esse matthew. eu: - é...
paguei e fui embora, rindo. como não amar, ainda que brevemente, essas pessoas que fazem dos meus previsíveis dias esquetes de stand-up comedy?
quinta-feira, 6 de maio de 2010
21:04
A fobia social é bem mais do que uma simples falta de vontade de estar com os outros ou timidez. Trata-se de um medo exagerado de sentir vergonha ou sofrer humilhação quando a pessoa acha que será avaliada pelo grupo. Por isso, ela foge de situações como falar em público, comer na frente de outras pessoas e até assinar cheques diante de estranhos. Segundo o psicólogo Ari Rehfeld, da PUC de São Paulo, muitos fóbicos não conseguem olhar e nem mesmo falar com outras pessoas e acabam evitando sair. Qualquer desconforto desse tipo é capaz de desencadear sintomas de ansiedade exacerbada, como taquicardia, tremores, sudorese e boca seca, o que acaba prejudicando atividades sociais e trabalho. O tratamento é feito com remédios e psicoterapia. (Folha de S.Paulo)
em verdade vos digo que, até a idade dos 16 anos, eu era popular. ao lado de mais três ou quatro amigos, era uma das alunas mais antigas da escola. entrei naquela instituição de ensino no berçário e fui até o segundo colegial. não concluí o ensino médio lá apenas porque meu colégio querido foi à falência.
acho que sempre fui emo. no dia em que anunciaram o encerramento das atividades da escola, lembro de ter chorado rios, abraçado professores, diretores, funcionários e amigos. se não me engano, até escrevi uma carta ou fiz um discurso. sim, eu era meio bocó. ou não. é que hoje acho ridículo expressar o pesar na frente de muita gente, ainda mais quando isso pode ser interpretado como puxa-saquismo. mas, no passado, eu me expressava em público, para as massas.
sofri aquela falência. era o fim de uma era. uma era sobretudo confortável. sempre transitei por lá como se fosse a dona do pedaço. todos me conheciam, me achavam engraçada e simpática. eu era meio líder da turma, conselheira, bom e mau exemplo ao mesmo tempo. nunca precisei me esconder dentro do uniforme, mesmo sendo um desastre no que diz respeito aos jogos esportivos. eu era a garota que sempre sabia o que fazer, o que falar.
então meu sonho acabou e precisei me matricular num outro colégio. alguns dos meus amigos foram para um de elite, maior, e eu os segui. aquilo ali me ensinou a ser quieta. primeiro porque a maioria dos alunos era rica e eu não era. hoje, acho calça jeans e camiseta a coisa mais digna do mundo para se vestir. na época, eu sentia que era a pessoa mais desprezível do mundo por usar essa combinação de peças enquanto as demais garotas usavam saias das mais bonitas, blusas das mais charmosas. e elas faziam tratamentos estéticos jamais sonhados por mim. e elas tinham carro e outras quinquilharias materiais que eu secretamente invejava.
essas coisas parecem bobas se olhadas hoje. sobretudo porque eu não dou a mínima para o luxo. mas vai pensar assim tendo 17 anos num colégio de patys e boys. é criar uma tribo ou se sentir deslocado. eu acabei ficando na minha. outra coisa que me incomodava é que eu não sabia mais puxar assunto. descobri que era tímida, que morria de vergonha de falar a coisa errada e ser zoada para todo o sempre. sobrevivi a esse ano de 2001 com poucos e bons amigos, o que se repetiu no ano seguinte, no cursinho, nos quatro anos após o cursinho e não parou até hoje. nem nunca vai parar, eu acho.
que bom que o colégio faliu, se a gente for ver. conheci um outro mundo, uma outra parte de mim. no entanto, ainda é meio estranho sentir vontade de não interagir, de ficar contemplando meus pensamentos, de ler durante o almoço. não é que eu não goste de pessoas. eu gosto muito de algumas e algumas também gostam muito de mim. é só que às vezes eu não sei o que fazer com elas. aí, entro no meu retiro emocional. a sorte é que sempre vem um pra me salvar.
p.s.: enquanto concluía este texto, veio uma garota fofa aqui da redação conversar. foi uma conversa ótima, até profunda. realmente gosto dela e sempre vou gostar quando as pessoas me lembrarem que existe vida além do quarto. ou dos livros. ou do cinema. ou da redação. ou seja, além de todos os lugares onde costumo me esconder.