agora eu tô assim. adicionando como amigo no facebook tudo quanto é artista mezzo desconhecido que eu gosto. tem leo cavalcanti, tulipa ruiz, tita lima e karina buhr. fazer o quê se eu amo a sensação de que estou perto deles? difícil é controlar a vontade de tietar no bate-papo. com certeza, eles devem suspirar resignadamente cada vez que um fã tenta se fazer de amigo. ou eles ficam animados. de todo modo, que assunto que a gente puxa? só rola puxar o saco mesmo. e isso eu me recuso a fazer, porque é o que todo mundo faz. mas bem que eu queria ter coragem de ficar no senso comum e babar dúzias de ovos. pior que não ter o que falar é ver leo no meio da rua durante o show da tulipa na virada cultural. tão perto, tão longe. #suspiros. fiquei tentando fazer contato visual, mentalizei dicumforça um "olha pra mim, olha pra mim". e nada. também eu queria o quê? paquerar o cara? que puta coisa de groupie.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
13:33
malditas as pessoas que conseguiam ficar batendo papo enquanto aquela mulher incrível cantava. ou melhor, cochichava. tudo nela era sussuro. até o jeito de olhar pra gente. e de pedir para que mudassem o volume do microfone. era um movimento suave do indicador. nenhuma palavra.
nunca pensei que veria chan marshall mandando beijo, fazendo coraçãozinho com as mãos e enxugando uma lágrima imaginária. eu ouvi sobre seu lado mais frágil, desencontrado e introspectivo, justamente o que ela mostra no palco.
e agora, para nosso espanto, ela parecia feliz. tenho medo de quem, subitamente, aparenta felicidade. é como a melhora repentina antes da morte ou a estranha alegria do suicida.
eu queria ouvir todas as canções que me marcaram e fizeram sentido. mas ela não veio aqui para mexer nas nossas lembranças, cutucar a nossa dor. veio para esquecer as suas lembranças, espantar a própria tristeza.
tudo bem, lute contra os fantasmas.
sorte que metal heart ficou, apesar da faxina. uma superação? um tributo? uma pista? jamais saberemos. ela, mesmo quando fala, não diz.
foi até o camarim e voltou com uma cesta de frutas e flores. nem roberto carlos se entrega tanto assim. pena que não fiquei nem com as pétalas. na falta de xícara, tenho a toalha que estava jogada no palco. nem usada foi.
ei, você. sim, você. muito obrigada. melhor presente de aniversário em anos.
nunca pensei que veria chan marshall mandando beijo, fazendo coraçãozinho com as mãos e enxugando uma lágrima imaginária. eu ouvi sobre seu lado mais frágil, desencontrado e introspectivo, justamente o que ela mostra no palco.
e agora, para nosso espanto, ela parecia feliz. tenho medo de quem, subitamente, aparenta felicidade. é como a melhora repentina antes da morte ou a estranha alegria do suicida.
eu queria ouvir todas as canções que me marcaram e fizeram sentido. mas ela não veio aqui para mexer nas nossas lembranças, cutucar a nossa dor. veio para esquecer as suas lembranças, espantar a própria tristeza.
tudo bem, lute contra os fantasmas.
sorte que metal heart ficou, apesar da faxina. uma superação? um tributo? uma pista? jamais saberemos. ela, mesmo quando fala, não diz.
foi até o camarim e voltou com uma cesta de frutas e flores. nem roberto carlos se entrega tanto assim. pena que não fiquei nem com as pétalas. na falta de xícara, tenho a toalha que estava jogada no palco. nem usada foi.
ei, você. sim, você. muito obrigada. melhor presente de aniversário em anos.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
19:54
desenhei, na cabeça, três caminhos profissionais para mim. o primeiro é continuar na revista e seguir lutando bravamente para ser uma repórter de verdade, o que consiste basicamente em entregar textos com regularidade, coisa que eu não faço.
no entanto, isso só é viável se a "promoção" "prometida" vier. decidi que não posso mais ganhar tão mal. sobretudo porque eu me esforço. num mundo onde existe justiça, cósmica que seja, isso deveria contar. mas esse mundo existe? claro que não. as coisas podem simplesmente dar errado. ou dar certo de um jeito torto.
se a promoção não vier, eu vou tirar férias, coisa que jamais aconteceu em toda a minha vida profissional. e lá se vão sete anos de labuta. na volta, devo bater em outras portas. de jornais, talvez. este é o segundo caminho.
a terceira possibilidade, por incrível que pareça aos que já ouviram todo o meu repertório sobre a paixão pelo jornalismo, é o que mais me agrada. consiste em voltar para a faculdade.
para isso, eu precisaria trabalhar em alguma agência de comunicação que pague bem. aí, cursaria psicologia. me tornaria uma acadêmica. depois, com algum dinheiro guardado, montaria um consultório, ao mesmo tempo em que frequentaria aulas da escola de psicanálise. ouviria os outros e ajudaria essas pessoas a escrever suas próprias histórias, a enxergar esses enredos tão inacessíveis por vezes.
no meio do caminho, achei que a construção de histórias era jornalismo. literário, para ser mais exata. demorei para notar que dificilmente é. se você não for um gay talese da vida você vai ficar na superfície. e eu quero mergulhar, como sempre.
no entanto, isso só é viável se a "promoção" "prometida" vier. decidi que não posso mais ganhar tão mal. sobretudo porque eu me esforço. num mundo onde existe justiça, cósmica que seja, isso deveria contar. mas esse mundo existe? claro que não. as coisas podem simplesmente dar errado. ou dar certo de um jeito torto.
se a promoção não vier, eu vou tirar férias, coisa que jamais aconteceu em toda a minha vida profissional. e lá se vão sete anos de labuta. na volta, devo bater em outras portas. de jornais, talvez. este é o segundo caminho.
a terceira possibilidade, por incrível que pareça aos que já ouviram todo o meu repertório sobre a paixão pelo jornalismo, é o que mais me agrada. consiste em voltar para a faculdade.
para isso, eu precisaria trabalhar em alguma agência de comunicação que pague bem. aí, cursaria psicologia. me tornaria uma acadêmica. depois, com algum dinheiro guardado, montaria um consultório, ao mesmo tempo em que frequentaria aulas da escola de psicanálise. ouviria os outros e ajudaria essas pessoas a escrever suas próprias histórias, a enxergar esses enredos tão inacessíveis por vezes.
no meio do caminho, achei que a construção de histórias era jornalismo. literário, para ser mais exata. demorei para notar que dificilmente é. se você não for um gay talese da vida você vai ficar na superfície. e eu quero mergulhar, como sempre.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
17:18
e o triste é que a gente perde tudo junto ao se perder. e em nome de quê. tem nome isso, pra começar?
quinta-feira, 20 de maio de 2010
16:18
Fagulha
Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando
Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
ana cristina césar
Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando
Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
ana cristina césar
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