quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

16:40

[gary barlow] dúvida prática:

por um lado, sou "um homem que liga", como diz uma colega ilustre. estou precisando conhecer pessoas novas. e é quase sempre melhor estar acompanhado do que sozinho.

por outro lado, talvez ela tenha dado o número mais por educação do que por interesse. talvez eu tenha pedido mais por educação do que por interesse. e talvez seja tarde. timing nunca foi meu forte.

ligo ou não ligo?

pode ser o caso de abrir uma votação. alguém quer ajudar a sabotar minha vida? às vezes cansa fazer isso sozinho.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

21:20

[gary barlow] era tarde demais para aproveitar aquela noite. mas havia a noite seguinte.

lembro que há alguns dias eu disse que sair e beijar desconhecidas era, no máximo, uma fonte de prazer momentâneo. ainda concordo. mas, em algumas circunstâncias, todos nós precisamos de uma dose de prazer momentâneo. mesmo os mais sonhadores. and by that i mean myself.

devo dizer que há meses não aproveitava tanto uma noite. quando a música, o ambiente e as companhias conspiram para o seu bem-estar, não se divertir é uma ofensa ao universo. e, se ainda assim eu estivesse relutante, a bebida existe para isso. para garantir que o universo não será ofendido.

dois dias depois, ainda sinto os efeitos colaterais da noite. um dia inteiro movido a água, café e tylenol. mas valeu a pena. mesmo que só para me sentir vivo. mesmo que só para poder contar histórias - algumas delas constrangedoras. mesmo que só para saber que sou capaz de flertar sem o peso das minhas expectativas. mesmo que só pelo prazer momentâneo que eu havia mencionado.

depois, como acontece com os prazeres momentâneos, percebi que daquela noite me sobrou pouco.

uma dor de cabeça insistente. um número de telefone para o qual eu dificilmente vou ligar. e a certeza de que posso me divertir muito. desde que deixe de ser quem eu sou.

sábado, 22 de janeiro de 2011

8:20

[gary barlow] você tenta de novo. sustenta o olhar por muitos segundos além do aceitável em busca de um contato. ela sorri, mas para o celular. e olha para ele como nunca olhou para você.

você disfarça encarando as paredes, como se algo ali te interessasse. toma a terceira dose do pior uísque da casa, mas não tem coragem de dizer nada. tarde demais para aproveitar a noite. cedo o bastante para rir de si.

e é nessa hora que você desiste. e não sabe até quando. mas sabe por quê.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

19 de outubro de 2006

O banho ajudou pouco, desta vez...

Ouço Elvis Costello. "North", um álbum feito inteiramente (ou quase) de melodias tristes. "This album is about melody, harmony, mood and emotion -- mostly emotion", disse o autor. Lembra-me o maravilhoso "In the Wee Small Hours", do Sinatra, que muitos consideram o primeiro álbum "conceitual" da história (e que o fulano precisa me devolver -- está há meses com ele!), bem antes daquelas pretensões progressivas que você tão bem conhece. (Não significam que sejam ruins, só por serem obras pretensiosas. E, de qualquer maneira, são milhões de vezes melhores do que as porcarias indies que você anda a "descobrir" atualmente, hehehe.)

Falando em "hehehe", você nota que mesmo durante nossas discussões há momentos de desconstração. É bom manter o humor, já dizia aquele professor. Ele reclama da falta disso na política, tanto na esquerda quanto na direita. E mostra um vídeo do subcomandante Marcos dando tiradas ótimas (há alguns vídeos dele no YouTube, mas não conferi se há humor neles).

Aliás, a declaração do voto em Lula feita pelo Ziraldo é um bom exemplo de humor na política: http://www.pt.org.br/site/noticias/noticias_int.asp?cod=45724

Tá vendo? É foda. Já tô desviando do assunto principal do e-mail.

(um parágrafo sobre o assunto principal do e-mail)

Porra, quando foi a última vez que falamos de futebol? Ah... Que tristeza.

nota de rodapé: e-mail escrito por um amigo que virou namorado e cujo coração eu destruí. não me orgulho. nem um pouco.

21:00

vivienne westwood, a senhora mais cool do planeta. não, rita lee, não é você.





15:51

[gary barlow] ela me manda um e-mail. quer discutir um assunto do trabalho.
ela me chama para tomar um café. descemos.
ela pede ajuda para desenvolver uma ideia.
ela divide encanações da vida. profissional. depois, pessoal.
ela dá risada. primeiro de mim. depois dela. depois da vida.
ela fala do ex.
ela fala de amores passados e futuros.
ela me chama para ir com os amigos ao bar.
ela se apressa.
ela agradece.

***

e eu? ora, eu continuo sendo um idiota.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

17:12

[tippi hedren] é aceitável sofrer por meses por causa de um texto? e adiar a entrega do texto até o limite do prazo?

não me sinto capaz de escrever de maneira decente, tampouco confio na minha apuração, mesmo tendo ouvido seis fontes.

acho que vou perder o prazo. também acho uma chatice o tema da minha reportagem, embora todo o processo de apuração tenha sido interessante.

queria escrever um e-mail choroso para o meu editor confessando a minha incapacidade. eu jogaria tudo para o alto e me sentiria livre. no segundo seguinte, louca. fora que ficaria difícil arranjar emprego depois.

por que eu ainda acho que posso ser feliz aqui?

maldita confiança no futuro.